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Trois pistes à explorer ?

Publié en ligne le 31 janvier 2018

Contrairement à la formule habituelle de la présente rubrique, les articles qui suivent ne dialoguent ni entre eux ni avec un texte de référence qui leur serait commun. 

La confrontation a lieu à l’intérieur de chacun d’eux :

  • le premier propose quelques pistes dans l’espoir de marier le Triangle et le Carré, figures emblématiques de deux sémiotiques qui en général s’ignorent mais pourraient sans doute se rencontrer et un jour, peut-être, n’en former qu’une ;

  • le deuxième revient une fois encore au dernier livre de Greimas, De l’Imperfection, et confronte à son propos deux lectures possibles ;

  • le troisième mène à partir de la notion de stratégie une réflexion qui, entre « formes de vie » et « styles de vie », cherche à ouvrir une troisième voie. 

Ces textes sont le fruit de recherches en cours, dont nous savons qu’elles sont loin d’être achevées. En les publiant, nous n’avons d’autre intention que d’ouvrir ou de réouvrir la réflexion à propos de questions en suspens ou de pistes qui méritent peut-être d’être explorées. Les lecteurs en jugeront. Et libre à chacun d’y répondre — c’est le principe de cette rubrique.

 

Eric Landowski

  • DOCUMENT I
  • Alexandre Provin Sbabo
    O triângulo no quadrado : um esboço de relacionamento
    entre regimes de interação e categorias fenomenológicas de Peirce
  • DOCUMENT II
  • Eric LANDOWSKI
    De l’Imperfection : un livre, deux lectures.Préface à une traduction virtuelle
  • DOCUMENT III
  • Alain Perusset
    Le plaisir de plaire.
    Trajectoires modales ou stratégies morales ?
  • Augmenter la taille de la police
  • Réduire la taille de la police

DOCUMENT I

Alexandre Provin Sbabo
São Paulo, PUC, Centro de Pesquisas Sociossemióticas

O triângulo no quadrado : um esboço de relacionamento
entre regimes de interação e categorias fenomenológicas de Peirce

Texte intégral

Introdução

1 :
 Cf. Umberto Eco, Tratado geral de semiótica (1976), tr. port. São Paulo, Perspectiva, 2a ed. 2000, assim como o conjunto de sua obra (...)
2 :
 Cf. A. J. Greimas e Joseph Courtés, Dicionário de semiótica (1979), tr. port. São Paulo, Cultrix, 2008. E. Landowski, Passions sans (...)

O desenvolvimento de qualquer disciplina exige um diálogo crítico que contribua para a construção de um edifício epistemológico capaz de fornecer uma lente pelo estudo dos fenômenos do mundo. No caso da semiótica, a necessidade, tanto quanto a dificuldade desse diálogo, se reforça pelo fato de contar com três grandes vertentes teóricas, a semiótica americana fundada por Charles S. Peirce, a semiótica chamada de francesa, desenvolvida a partir de Saussure, principalmente por Louis Hjelmslev e Algirdas J. Greimas, e a semiótica russa, com Iúri Lotman e, notadamente, Vladímir Toporov, Borís Uspiénski e Eleazar Meletínski. A busca de pontos de encontro entre essas teorias já foi ensaiada diversas vezes1. Contudo, não pretendemos discutir o que já foi estabelecido em trabalhos anteriores, mas sim deitar o olhar, a partir da fenomenologia de Peirce e do que ele denomina de “categorias universais”, sobre o que podemos reconhecer como duas etapas importantes da semiótica francesa : a gramática narrativa proposta por Greimas nos termos de uma sintaxe da “junção”, e seus desenvolvimentos, a partir dos anos 90, por Eric Landowski, nos termos de uma lógica da “união”2.

3 :
 Cf. Mehr Licht! Sur les traces d’A. J. Greimas, dir. V. Estay e R. Horrein, https://www.youtube.com/wat ch?v=kMKejs-0Mig, 2017.

Embora sejamos conscientes da dificuldade de tal empreendimento em poucas páginas, nosso objetivo é pôr em relação as teorias sem comprometer os postulados teóricos, com a ideia de que uma teoria pode se beneficiar da, e ao mesmo tempo contribuir com a metodologia da outra, e vice-versa. A importância de tal diálogo poderia ser justificada por referência a Greimas, que, questionado por Gianfranco Marrone em 1984 sobre o que ele pensava a respeito da diferença entre a semiótica greimasiana e a semiótica de Peirce, respondeu que ele acreditava que só existe uma semiótica, para recusar logo em seguida o qualificativo de semiótica “greimasiana”3.

Não abordaremos em detalhes conceitos de base que são conhecidos pela comunidade acadêmica das respectivas correntes, salvo quando tal conceituação ou articulação teórica for essencial para o estabelecimento das relações que nos interessam. Iniciamos com um breve panorama da gramática narrativa em seus mais recentes desdobramentos, para após introduzirmos a fenomenologia de Peirce e, num terceiro momento, esboçar algumas relações concebíveis entre as duas abordagens.

1. Apresentação sucinta das conceitualizações em pauta

1.1. A gramática narrativa

4 :
 J.L. Fiorin, “Estruturas narrativas”, in A. C. de Oliveira (org.), As interações sensíveis, São Paulo, CPS e Estação das Letras (...)

É “um lugar comum” afirmar que na semiótica de Greimas “o nível narrativo do percurso gerativo de sentido foi o que mereceu maior desenvolvimento teórico”4. O que nos interessa particularmente sobre este nível, porque isso vai condicionar a possibilidade de relacionar as duas conceitualizações em pauta, são os trabalhos de Landowski que, reexaminando os pressupostos da gramática narrativa e introduzindo a noção de risco, reflete sobre os regimes de presença e de interação do sujeito no e com o mundo, e propõe uma ampliação do modelo standard.

5 :
 Dicionário de semiótica, op. cit., p. 269.

Em um primeiro momento, a propósito da teoria da ação subjacente ao nível da narrativização, ele destaca as diferenças actanciais e sintáticas que opõem os conceitos de “operação” e de “manipulação”. No Dicionário de Greimas e Courtés, entende-se por operação “a transformação lógico-semântica da ação do homem sobre as coisas, enquanto manipulação corresponde à ação do homem sobre os outros homens”5. Apoiando-se sobre estas definições, Landowski retoma a distinção entre as formas do fazer-ser, em que “atuamos diretamente sobre o mundo material”, e do fazer-fazer, em que “delegamos a outrem o cumprimento desse gênero de operações pragmáticas”. Ele acrescenta então que, “para que um sujeito possa operar sobre um objeto qualquer, é necessário que tal objeto esteja programado” (IA, pp. 21-22). Nesse contexto, a noção de “programação” remete à regularidade de algum algoritmo de comportamento determinado e fixo (como o papel do “pescador” que somente pesca), ideia que “se traduz, em termos de gramática narrativa, na noção precisa de papel temático” (IA, p. 22). Desta maneira, papel temático, regularidade, operação, fazer-ser e programação formam um primeiro conjunto conceitual.

Mas nossas ações não são pautadas exclusivamente pelo princípio de regularidade. No que se refere a ação humana, nem sempre podemos prever com certeza as relações de causa e efeito. Se, ao contrário, impõe-se neste âmbito “uma relativa incerteza”, é porque nossas ações, além de em certos (ou muitos) casos serem regidas pelo princípio de regularidade, obedecem também, por uma parte essencial, a outro princípio geral (já perfeitamente identificado, aquele, pela semiótica standard), o da intencionalidade. Aqui reencontramos o fazer-fazer e a manipulação. O manipulador visa a alterar a modalização, e notadamente o querer de outro sujeito, de modo tal que acabe por cumprir, de bom ou mau grado, o programa que lhe propõe aquele que o manipula.

6 :
 Cf. A.J. Greimas, Da Imperfeição (1987), tr. port. São Paulo, Hacker, 2002 (reed. São Paulo, Estação das Letras e Cores e CPS, (...)
7 :
 Passions sans nom, op. cit., p. 5 (trad. nossa).

Ora, enquanto as noções de operação e manipulação já estavam devidamente diferenciadas e, bastante articuladas (particularmente a segunda), é somente a partir de Da imperfeição que Greimas abre uma janela para o sensível, e, com Semiótica das paixões, para o passional6. Apoiando-se sobre o primeiro desses dois ensaios, Landowski propõe, em Passions sans nom, uma conceitualização da interação “que permite descrever semioticamente o modo como o componente sensível — estésico — intervém na apreensão do sentido in vivo, isto é, em ato e em situação”, enquanto presença7. Tal modo de apreensão, por meio da estesia, se apresenta como alheio à lógica da “junção” que rege a operação e a manipulação. Contudo, Landowski não pretende opor duas semióticas distintas, mas complementar o modelo clássico, explorando semioticamente a passagem entre as interações que privilegiam a dimensão cognitiva e o inteligível, e as que se desenvolvem principalmente no plano estésico e sensível.

8 :
 Ibid., p. 63.

Segundo a lógica da junção, o sujeito lida com o mundo de um ponto de vista cognitivo, funcional, e mais precisamente “econômico”, no qual o que interessa é a troca de objetos de valor. Entretanto, existem também contextos em que os agentes não têm como meta sanar um “estado de falta” (para utilizar os termos da gramática narrativa standard), mas sim se “realizar” mediante um “fazer junto” no qual a experiência vivida, compartilhada sensivelmente, desemboca na criação de um sentido novo, que nem um, nem outro dos parceiros teria podido realizar sem a co-atuação do outro : daí a ideia de “ajustamento” interactancial. O autor propõe, por isso, acrescentar outra sintaxe, que perpasse a dimensão cognitiva e permita dar conta das interações que se desenrolam especificamente no plano sensível, isso justamente com a integração do componente estésico, fundando uma lógica baseada na co-presença, denominada de união. Como ele escreve, a problemática da união se concentra não sobre os estados juntivos sucessivos que afetam os actantes, mas sobre “o que passa, estesicamente e a cada instante, de um para o outro, seja qual for seu estado momentâneo de junção”8. Os actantes interagem entre si pela simples co-presença, na qual pelo menos um deles é capaz de experienciar o outro estesicamente, de sentir nele mesmo a maneira de estar no mundo do outro (como, por exemplo, no contagio do rir, do desejo ou do medo).

Assim é que o autor introduz, por interdefinição com as sintaxes da manipulação e da operação, dois “novos” regimes : o “ajustamento” e o “acidente”. Diferentemente da programação, que consiste no cumprimento de algoritmos preestabelecidos na constituição (natural ou social) do agente, e da manipulação, configurada pela adaptação do sujeito operador ao querer do sujeito manipulador, no ajustamento os actantes são interinfluenciados, mutuamente “contaminados” pela sua co-presença, sem que ocorra entre eles nenhuma troca de objeto de valor. Para a ocorrência de tal regime, também há a necessidade de uma “competência” determinada, que torne possível o sentir recíproco. Assim, no ajustamento, mesmo se os actantes mantêm sua competência modal, é preciso que, além dessa, eles sejam dotados de uma “sensibilidade”, ou seja, de uma competência estésica. Consequentemente, “a interação não mais se assentará sobre o fazer crer, mas sobre o fazer sentir — não mais sobre a persuasão, entre inteligências, mas sobre o contágio entre sensibilidades” (IA, pp. 50-51).

Em todas essas posições, há a possibilidade do fracasso. Inclusive a mais estrita programação pode ser quebrada pela irrupção de algum fator imprevisto, “aleatório”. Daí a necessidade de completar o modelo com um último princípio interacional que atualize o contrário do princípio de regularidade fundador da programação. Será o princípio da aleatoriedade, figurado pelo “acaso” enquanto irregularidade pura. É ele que funda o regime do acidente. Por oposição à programação, em que tudo é tão previsível que ameaça o risco de uma vida dessemantizada, o regime do acidente é aquele das maiores incertezas e, portanto, do risco máximo — o que não exclui a possibilidade de assentimento à alea e à eventual catástrofe.

9 :
 Ibid., pp. 267-268.

Tendo deste modo acrescentado à gramática narrativa dois regimes de interação que procuram dar conta do sentido manifestado não nas relações objetivadas de uma “leitura” do mundo cognitivamente articulada, mas sim em uma “apreensão” sensível diante da simples presença do outro, o autor põe em relação dentro de um modelo único e abrangente as sintaxes interacionais do esquema juntivo (programação e manipulação) e as que remetem à lógica da união (acidente e ajustamento), interdefinindo-as. Complementarmente, ele substitui as “linhas retas do quadrado semiótico clássico por linhas curvas, fazendo assim aparecer zonas de trânsito em lugar de posições fixas” e privilegiando desta maneira os processos e não o sistema (IA, p. 81). Neste continuum, cada sujeito tem “a vocação de circular” por transformações sucessivas ao longo de seu percurso de vida, possibilitando um trânsito entre o inteligível e o sensível9. Tais postulações dão origem ao esquema que segue :

Poderia de alguma maneira este quadrado (mesmo que elíptico), que ao nosso entender sintetiza o estado presente da gramatica narrativa, se relacionar com o triângulo da fenomenologia de Peirce ? É nosso intuito. Para poder justificá-lo, esbocemos agora as categorias fenomenológicas.

1.2. As categorias fenomenológicas de Peirce

10 :
 C.S. Peirce, “Escritos Coligidos”, in Os Pensadores, seleção de Armando M. D’Oliveira e Sergio Pomerangblum, São Paulo, Abril (...)
11 :
 Ibid., p. 37.
12 :
 L. Santaella, O que é semiótica, São Paulo, Brasiliense, 2012, p. 43.

A fim de justificar nossa escolha em trabalhar com as categorias fenomenológicas e não, como talvez fosse o esperado por parte dos semioticistas peircianos, com as classificações sígnicas, precisamos primeiro compreender seu lugar na teoria de Peirce. Para o autor, “a ciência da fenomenologia deve ser a base para o edifício da ciência normativa — é a primeira, pois, a requerer a nossa atenção”, sendo ainda “a mais primitiva das ciências positivistas”10. Com isso, Peirce discorre sobre as divisões da filosofia, afirmando que “a primeira é a fenomenologia (...) a segunda é a ciência normativa (...) a terceira divisão é a metafísica”, para logo em seguida cunhar o lugar da ética, da estética e da lógica (ou semiótica), em seu edifício, como categorias pertencentes às ciências normativas11. Lucia Santaella explica que a fenomenologia enquanto “base fundamental para qualquer ciência, meramente observa os fenômenos e, através da análise, postula as formas ou propriedades universais desses fenômenos”12.

Constatando, assim, o caráter anterior da fenomenologia em relação à classificação sígnica, optamos pela abordagem fenomenológica justamente por tratar da manifestação dos fenômenos sem procurar classificá-los enquanto signos, o que acarretaria numa redução das possibilidades de desenvolvimentos teóricos e limitaria nossa análise somente ao signo, não dando conta dos fenômenos enquanto manifestações gerais, como são observáveis, do lado da semiótica narrativa, nos regimes de interação.

Podemos dizer que estamos, de certa maneira, guardadas as devidas proporções, estabelecendo uma hierarquia conceitual assim como fizeram Peirce, ao erigir seu edifício filosófico, e Greimas, com o percurso gerativo de sentido. Sabendo que a gramática narrativa apresentada até o momento se dedica à análise da manifestação do sentido, descrevendo a maneira como os elementos são articulados entre si, na imanência do objeto, propomos as seguintes distinções :

i) Temos as diversas interações entre os actantes, as quais se relacionam dentro do esquema da gramática narrativa. Trata-se, por exemplo, das relações entre sujeito e objeto ou entre sujeitos. Elas representam o que aqui chamamos de uma primeira camada ou, melhor, esfera onde o sentido é articulado. Cabe sublinhar que, ao falarmos de primeira esfera de articulação do sentido, não estamos desconsiderando o nível profundo do percurso gerativo. Entretanto, como este não é o principal objeto desta pesquisa, acreditamos que tal menção não seja necessária.

ii) Do mesmo modo, a classificação entre os regimes de interação (da manipulação à programação, do ajustamento ao acidente) corresponde, nessa perspectiva, a uma segunda esfera da articulação do sentido, mais geral que a anterior, porém nem por isso menos importante.

iii) Até então, nada de novo. Mas o que propomos além disso é uma terceira esfera de apreensão, relativa, esta, aos ditos regimes de interação, agora enxergados enquanto “fenômenos”, do ponto de vista da fenomenologia de Peirce.

Se optamos pela denominação de esferas e não camadas ou níveis de significação, é porque esses últimos termos nos parecem remeter a uma forma plana e com isso menos englobante. Com isso não estamos estabelecendo uma ordem que se deveria seguir para analisar determinada manifestação, até porque tal proposição seria prontamente descartada pelo princípio de imanência presente na semiótica francesa e pelo princípio de orientação do modelo taxinômico, uma vez que estes já são conceitos orientadores por si só. Assim, do mesmo modo que, segundo os casos, determinada manifestação semiótica pode ser associada a um ou outro dos regimes de interação em função de suas características sintáticas englobantes, tais regimes, enquanto fenômenos, podem ser, por sua vez, apreendidos a partir de suas “formas ou propriedades universais”, por meio da lente da fenomenologia peirciana.

13 :
 Escritos Coligidos, op. cit., p. 85.
14 :
 Ibid., p. 17.
15 :
 C.S. Peirce, “On a New List of Categories”, Proceedings of the American Academy of Arts and Sciences, 7, 1867, pp. 287-298.

Peirce apresenta o estudo do phaneron como a apreensão de “tudo o que é presente ao espírito”13, não sem sublinhar que, enquanto estudantes de fenomenologia, devemos “abrir os olhos do espírito e olhar bem os fenômenos e dizer quais suas características”14. A fenomenologia de Pierce, devido à sua natureza perceptiva, é a base da criação de suas categorias universais, sendo mais precisamente elaborada pelo modo como os fenômenos se apresentam à mente. Deste processo de apreensão dos fenômenos pela forma segundo a qual se apresentam à mente, Peirce, em seu texto “On a New List of Categories”15, extrai três categorias universais inicialmente denominadas de qualidade, relação e representação. Entretanto, baseado em sua própria ética da terminologia, para evitar o mau uso destes conceitos, tais categorias fenomenológicas foram renomeadas, respectivamente, como primeiridade, secundidade e terceiridade.

16 :
 Escritos Coligidos, op. cit., p. 17.

Estas categorias se apresentam de maneiras diferentes e em uma determinada hierarquia, e é este aspecto hierárquico que permite classificar os fenômenos em categorias. Contudo, Peirce nos alerta para o fato de que, apesar de serem classificadas hierarquicamente, a existência de uma categoria não anula a outra, pois enquanto categorias universais, elas “pertencem a todo fenômeno, talvez uma sendo mais proeminente que a outra num aspecto do fenômeno”16. O princípio da proeminência previsível de uma determinada categoria em tal ou outro fenômeno, aplicado à diferenciação entre os regimes interacionais da gramatica narrativa, vai nos permitir, a partir da observação de suas características, relacionar cada um deles respetivamente com uma ou outra das categorias peircianas.

A relação entre as categorias se apresenta por meio de contiguidade, de maneira que, se um fenômeno se apresenta proeminentemente como pertencente a categoria da secundidade, ele possui em sua estrutura algo de primeiridade. Do mesmo modo, um elemento categorizado por suas características como pertencendo à categoria da terceiridade vai conter aspectos ou elementos da secundidade e da primeiridade. A única exceção é a primeiridade, que por ser (por definição) a primeira que “se apresenta à mente”, exclui qualquer categoria precedente.

Tratando-se de categorias universais dos fenômenos, hipoteticamente presentes em toda e qualquer manifestação, seria natural que elas estivessem reconhecíveis inclusive nos regimes de interação propostos por Greimas e por Landowski. Vamos, portanto, colocar esta universalidade a prova. Abordaremos cada regime separadamente com o objetivo de identificar sua respectiva “categoria fenomenológica”, se é que podemos nos exprimir assim, ou seja, se é que, como pretendemos, é possível homologar o conjunto de princípios e de relações que interdefinem os “regimes” do modelo interacional com as “categorias” que constituem as unidades conceituais do sistema de Peirce.

2. Relações entre as duas conceitualizações

2.1. O acidente enquanto primeiridade

17 :
 C. S. Peirce, Semiótica, São Paulo, Perspectiva, 4a ed., 2010, p. 24.
18 :
 L. Santaella, “Como chegar à semiótica de Peirce”, Jornal da Tarde, Estado de São Paulo, caderno de programas e leituras, 8 de (...)

A primeiridade é regida pelo acaso, pela liberdade, pelo puro e efêmero instante do presente. É só pensar em primeiridade que ela já deixou de ser primeiridade. Ela não existe para ser pensada e muito menos observada enquanto parte do inteligível, mas sim sentida, experienciada e vivida. A mente cândida e porosa é capaz de vivenciar a primeiridade como uma mera qualidade de sentimento, como de fato ela é. Peirce descreve a primeiridade como sendo uma “originalidade irresponsável e livre”17. Santaella, afirma que, a “valência de primeiro está aliada às ideias de acaso, potencialidade, indeterminação, espontaneidade, qualidade, presentidade, mônada...”18, podendo ser chamada também de uma variação espontânea do presente “líquido”.

Ao que nos parece esta noção de primeiridade desenvolvida por Peirce circunscreve toda a relação existente no que Landowski denomina de regime do acidente. Para o autor, o acidente pode ser considerado um “estranho regime de interação, no qual o comportamento do outro — agora, o puro acaso — não dá motivo à interpretação alguma fundada na razão (...)” (IA, p. 72). O acidente é uma ruptura na continuidade, um desvio na regularidade. O seu caráter de imprevisibilidade, relativa ou total segundo os casos, o torna de certo modo incognoscível para a razão. Se fosse diferente, como, por exemplo, uma má intenção ou um erro por falta de atenção, etc., já estaria em outra categoria que não a primeiridade.

19 :
 L. Santaella, Matrizes da linguagem e pensamento : sonora, visual e verbal. Aplicações na hipermídia, São Paulo, Illuminuras-FAPESP, (...)
20 :
 E. Landowski, “Sociossemiótica : uma teoria geral do sentido”, Galaxia, 27, 2014, p. 16.
21 :
 Escritos coligidos, op. cit. p. 88.

Assim, o acidente é a realização do risco (ou da chance) em seu grau mais elevado, face ao qual uma das atitudes possíveis do sujeito é se resignar diante dos fenômenos que se presentificam a ele, no sentido atribuido por L. Santaella à “presentificação” como sendo “tudo aquilo que se liga a irrupção”19. Com isso, temos dois conceitos essenciais à fundamentação de Landowski, a aleatoriedade, fundada enquanto conceito matemático, e o assentimento, que diz respeito ao “ponto de vista do sujeito que aceita a incerteza”20. Surgindo como uma figura actancial que não depende de nada que lhe é exterior e nem tampouco instaura um dever-fazer, o acaso (a “alea”) assume “uma forma limite, e paradoxal, de autodestinador” (IA, p. 76). Manifestando-se em sua irrupção, tal forma corresponde ao conceito de primeiro que “predomina nas ideias de novidade, vida, liberdade”, sendo que para Peirce, “livre é o que não tem outro atrás de si determinando suas ações”21, em outras palavras, que é autodestinado.

22 :
 Da Imperfeição, op. cit., respetivamente p. 25, 35, 41, 49 e 57.
23 :
 Ibid., p. 57.

Dessa maneira, como analistas, ao compreendermos as interações que articulam o sentido no acidente e pensarmos neste regime enquanto fenômeno, podemos dizer que os sujeitos que experienciam tal manifestação têm seus sentidos arrebatados por uma qualidade de sentimento. Basta lembrarmos da “segunda ilha” experienciada por Robinson, do toque pelo olhar do senhor Palomar, do aroma dos jasmins, da cor das trevas ou ainda das carícias no veludo verde do esteta em Da Imperfeição22. Portanto, em relação a qualquer fenômeno de caráter “acidental”, uma determinada qualidade de sentimento (que é inerente a primeiridade) pode ser experienciada de maneira mais proeminente, nos permitindo afirmar que o regime do acidente está em relação direta com a primeira categoria fenomenológica de Peirce, corroborando ainda com a noção de descontinuidade ou “fratura” presente em Greimas23.

24 :
 C.S. Peirce, Reasoning and the Logic of Things : The Cambridge Conferences Lectures of 1898, Kenneth Laine Ketner (ed.), Cambridge, (...)

Nos parece oportuno a esse respeito aproximar a noção de risco inerente, que circunda os regimes de interação (IA, pp. 17-19), e o conceito de falibilismo peirciano. “Em geral (escreve Peirce) não podemos de nenhum modo atingir certeza nem exatitude perfeitas. Não podemos estar absolutamente certos de nada, nem podemos com alguma probabilidade determinar o valor exato de qualquer medida ou proporção geral”24. O princípio do falibilismo consiste, com efeito, na afirmação da impossibilidade de uma certeza universal e absoluta por meio do raciocínio : em maior ou menor grau, os sujeitos necessariamente permanecem na incerteza. Num plano muito geral, isso entra obviamente em congruência com o papel essencial atribuído, na modelização landowskiana, ao fator de risco que pervade o conjunto dos regimes interacionais, do mais “seguro” (a programação) até o mais “arriscado”, alicerçado na pura aleatoriedade (o acidente), passando por configurações intermediárias em que o acaso (definido como “actante joker”) sempre permanece suscetível de produzir desvios, erros e falhas, mantendo uma inevitável incerteza ao redor de todas as formas de ação ou interação.

2.2. A programação como terceiridade

Marcando a relação de contrariedade com o acidente, temos o regime de interação denominado de programação, sendo este composto pelo princípio da regularidade. Regularidade essa, que pode ser uma relação de causa e efeito ou também fruto de um determinado contrato comunicacional sociocultural (IA, pp. 21-25). Dadas estas condições de emergência do sentido na programação, tentemos estabelecer como este regime, enquanto fenômeno, encontra-se circunscrito no campo da terceiridade peirciana.

A terceiridade, como dito anteriormente, está em uma relação de contiguidade com a secundidade (e, indiretamente, também a primeiridade). Desta forma, é preciso neste ponto evocar brevemente a secundidade para que entendamos o conceito de terceiro para Peirce. A secundidade, nada mais é que a ação bruta que a realidade exerce sobre nós. Outra consideração importante é que é neste campo que ocorrem as polarizações de sentidos, pois em toda relação diádica há um ponto A para se atingir um ponto B, sendo estes essencialmente distintos. Contudo, para qualquer ação que se realize para o atingimento do ponto B, também há a reação da realidade operando em uma força vetorial oposta. Nas palavras de Peirce:

25 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 18.

Imagine-se que uma pessoa faz um grande esforço muscular lançando-se com todo-ser o seu peso contra uma porta entreaberta. Obviamente existe aqui um sentido de resistência. Não há esforço sem resistência equivalente, e a resistência implica o esforço ao qual resiste. Ação e reação são equivalentes.25

26 :
 O que é semiótica, op. cit., p. 73.

Devemos ressaltar ainda, por motivos da relação de contiguidade com as categorias precedentes, a noção de consciência da sensação presente na categoria do segundo, pois enquanto na primeiridade possuímos uma mera qualidade de sensação, no segundo temos a consciência do que se apresenta à nossa mente. Dessa forma, como na citação anterior de Peirce, ao empurrarmos a porta entreaberta, a porta exerce uma resistência, de tal forma que esta resistência é experienciada pela nossa consciência e, portanto, tomamos conta dela. No primeiro a qualidade de sentimento é uma unidade com o sujeito, enquanto que no segundo, a sensação é um conflito entre o Eu e a própria realidade. Dizemos que o fenômeno se apresenta à nossa consciência, atinge nossos sentidos e produz um efeito. É esta quase imediata reação ao fenômeno que o torna real, palpável e físico, este último no sentido de resistência, tanto enquanto reconhecimento do outro, como na materialidade em si. Como Santaella escreve, “o simples fato de estarmos vivos, existindo, significa, a todo momento, consciência reagindo em relação ao mundo”26. A noção de existente concreto e de ação e reação, diádica, permeiam a secundidade. Mais adiante nos aprofundaremos nesse ponto.

27 :
 C.S. Peirce, Semiótica e filosofia, São Paulo, Cultrix, 1972, p. 100.

Poderíamos, com isso, nos precipitar e admitirmos que o regime da programação, enquanto reino de relações de causa e efeito que permitem ao sujeito saber adiantadamente qual será o resultado de sua operação, se encontra no patamar do segundo. Porém, é preciso distinguir aqui dois níveis. A atualização pontual de uma relação de causa e efeito é claramente da ordem da secundidade. Mas a sua generalização deixa de ser apenas uma causa e efeito e passa a ser uma lei (natural) ou uma convenção (social). Ora, as leis que regem a causalidade na cotidianidade e assertam a regularidade dos processos pertencem à categoria do terceiro, assim como o conhecimento e a exploração delas nas práticas. Se formos um pouco além na teoria peirciana, entrando nas categorias sígnicas, encontraríamos que a programação poderia ser considerada, até mesmo, como um legi-signo, uma vez que “um legi-signo é uma lei que é um signo. Tal lei é comumente estabelecida por homens. Todo signo convencional é um legi-signo (porém a recíproca não é verdadeira). Não é um objeto singular, mas um tipo geral”27.

28 :
 Dicionário de semiótica, op. cit. p. 453, grifo nosso.
29 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 25.

Outro ponto da teoria que nos convida a pensar na convergência entre a terceiridade e a programação se encontra na relação estabelecida entre a sintaxe narrativa da programação e a noção de papel temático (IA, pp. 20-28). Para Greimas e Courtés, o papel temático é “a representação, sob forma actancial, de um tema ou de um percurso temático (o percurso ‘pescar’, por exemplo, pode ser condensado ou resumido pelo papel ‘pescador’)”28. Assim, a ideia de convenção, ligada a terceiridade (e, no caso, ao papel do “pescador”), se mostra bastante proeminente. Além disso, Peirce nos diz que a “categoria-terceiro é a idéia daquilo que faz de terceiro, ou medium, entre um segundo e seu primeiro. Quer dizer, é representação como um elemento do fenômeno”29. Parece-nos que a noção de “representação”, presente nesses dois contextos (embora raramente utilizada pelos semioticistas franceses), associada com a noção de convenção e papel temático apresenta uma congruência teórica aceitável para estabelecermos tal relação.

2.3. O ajustamento e a secundidade

30 :
 Ibid.
31 :
 Ibid.

Utilizando novamente o exemplo do sujeito que procura abrir uma porta “com tremendo esforço”, Peirce procura demonstrar que a sensação de esforço presente à consciência “supõe resistência”30, mas que tal sensação de resistência é diferente daquela qualidade de sensação encontrada na primeiridade. O autor nos introduz, assim, na secundidade, que possui como principais elementos interdefinidos a sensação e o conflito. O conflito “está presente mesmo num fragmento rudimentar da experiência como uma sensação. A sensação tem sempre um grau de vivacidade, alto ou baixo, que é comoção, ação e reação, entre nosso espírito e o estímulo”31.

A ideia de conflito, para Peirce, implica no reconhecimento de um outro. Ora, reconhecer o outro é um dos elementos principais que constituem o regime do ajustamento.

32 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 91.

A díada (escreve Peirce) consiste em dois sujeitos colocados em unidade. Os sujeitos têm seu modo de ser como primeiro, segundo, etc., e são também em si próprios. Mas há uma ligação entre eles, a díada não é os sujeitos, eles são um elemento apenas. Mas a díada tem um caráter próprio também. (...) A díada põe os sujeitos juntos e atribui uma característica a cada um deles.32

O autor completa a descrição da díada afirmando que ela possui dois lados, de tal sorte que estes lados formam um par de sujeitos ligados a ela “e possuem o seu modo de união”.

Em ambas as abordagens em pauta, observamos sujeitos em relação, que são influenciados sensivelmente apenas pela co-presença de um e de outro. Temos o ego e o não-ego, cada um com “seu modo de ser” — para retomar os próprios termos de Peirce —, mas também com “uma ligação entre eles”, que faz com que eles sejam um elemento apenas. Encontramos na abordagem interacional uma ideia claramente análoga, que se traduz mediante a noção de um fazer junto, criador de sentido e, ao mesmo tempo, condição do “desabrochamento” de ambos os parceiros de tal “ajustamento no ato”.

Ademais, para os interactantes constituirem tal díada dinâmica em que o atuar de cada um é possibilitado pelo atuar do outro e se articula a ele, é imprescindível, sublinha Landowski, que os parceiros mantenham, ambos, a própria identidade e autonomia, e, por isso, uma forma de distância na proximidade, em vez de cair num estado de fusão que neutralizaria as potencialidades de um ou outro, ou dos dois. O conjunto desses elementos nos parece justificar a caraterização do ajustamento, enquanto regime interacional, como um fenômeno circunscrito pela categoria da secundidade.

2.4. A manipulação e a terceiridade reativa

O regime da manipulação, enquanto fenômeno, se apresenta de maneira mais complexa. Em um primeiro momento, para um olhar pouco atento, a possibilidade de relacionar as categorias com tal regime poderia parecer uma questão de ponto de vista, pois se encararmos o fenômeno da manipulação como uma sucessão de etapas, teremos aí uma relação de causa e efeito, o que entraria em congruência com uma secundidade de outro tipo, diferente daquela do ajustamento, sendo esta última mais próxima ao conceito de estesia, enquanto a primeira seria mais próxima do conceito de causalidade e conflito. Contudo, se pensarmos no regime de manipulação como um regime baseado na intencionalidade e pertencente a dimensão cognitiva, estaríamos falando, então, de uma categoria da terceiridade, pois envolve a ideia de propósito, finalidade, causação final e lei.

33 :
 Dicionário de semiótica, op. cit., pp. 269-271.

Contudo, observando mais atentamente cada ponto de vista, se considerarmos a manipulação somente em termos de intencionalidade, não estaremos observando o fenômeno em si, mas sim a sua estrutura conceitual. Por essa razão, nos parece mais adequado associá-la, também, com a relação de causa e efeito, uma vez que está ligada no eixo do fazer-fazer. Cientes de que para Greimas e Courtés a manipulação se insere na dimensão cognitiva33 e que para Peirce tal dimensão diz respeito a categoria da terceiridade, entramos, portanto, em um aparente conflito entre os regimes e as categorias fenomenológicas.

Para tentar reunir as ideias e evitar que nos atrapalhemos com as divergências e similitudes explicitadas, levantamos os pontos aos quais pretendemos nos ater :

34 :
 Sobre o sentido antropológico da manipulação e seu papel de “re-fundação” dos sistemas de valores constitutivos do “social”, (...)
35 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 18.

i) A manipulação pode ser vista como uma relação de três, por duas razões. Primeiro, simplesmente porque ela se desenvolve na dimensão cognitiva, que remete por princípio à terceiridade. Segundo e mais precisamente, porque, para pôr em relação os dois actantes que são o sujeito manipulador (sujeito do “fazer persuasivo”) e o sujeito manipulado (sujeito do “fazer interpretativo”), a manipulação pressupõe a existência de uma “razão” ou de um “bom senso” comuns, de uma comum vontade de “se entender”, e finalmente de um sistema axiológico minimamente compartilhado (em alguns casos figurativizado por um actante “Destinador”)34. É essa instância que permite aos parceiros desse tipo de interação avaliar o valor dos objetos que eles se propõem reciprocamente intercambiar e que efetivamente trocarão, ou não — dependendo do sucesso ou do fracasso da negociação (o que, na terminologia de Peirce, corresponderia à distinção entre agente, se o sujeito (o manipulador) obtiver êxito no seu esforço de persuasão, e paciente, se ele falhar35).

Ora, podemos considerar que essa necessária referência axiológica comum (também de ordem cognitiva por natureza), ao condicionar a possibilidade mesma da “manipulação”, cumpre o papel de um verdadeiro terceiro enquanto mediadora da relação entre os dois actantes principais da confrontação. Portanto, teríamos aqui uma relação interactancial de três, que, sem nenhuma dúvida, só pode corresponder à terceiridade de Peirce.

ii) No entanto, os enunciados, quer de conjunção, quer de disjunção, que definem o estado de cada um dos parceiros da relação em cada momento do processo manipulatório (no início, o manipulador está “disjunto” do valor, enquanto, se conseguir persuadir seu parceiro, no fim ele será “conjunto”), são circunscritos pela categoria do segundo, pois qualquer relação de junção entre um sujeito e um objeto de valor é, por natureza, uma relação de dois termos.

iii) Também, o próprio fundamento polêmico-contratual da narrativa dirige basicamente o regime de manipulação para a ideia de conflito, ou seja, para a secundidade.

iv) E a sintaxe da manipulação, definida como uma sucessão de etapas explicitadas pelo esquema canônico nos direciona, mais uma vez, à categoria do segundo.

36 :
 “The induction [...] attracts no attention, because it is what we naturally anticipate”. C.S. Peirce, The essential Peirce : (...)
37 :
 Trad. nossa. Nos termos de Peirce : “ [...] in convincing oneself that the same relations will always occur [...]” (CP 8.209). (...)

v) A essas características acrescenta-se o fato de que, no plano da competência cognitiva pressuposta por parte de cada um dos interactantes, o regime da manipulação é organizado com base no que Peirce denomina (com certo desprezo36) de pensamento indutivo, quer dizer fundado na simples experiência. Quanto maior seu grau de certeza, mais próximo ao hábito se encontrará e, consequentemente, cada vez mais sujeito à lógica dedutiva, que por sua vez permitirá “se convencer que as mesmas relações irão sempre ocorrer”37, estabelecendo assim o tipo de regularidades nas quais, em principio, nos termos do modelo interacional, o regime da programação se alicerça. Relacionar as duas conceitualizações neste plano, o do uso dos modos de raciocínio em distintos contextos que ambas teorias destacam, constitui sem dúvida um ponto interessante para futuros desenvolvimentos (e a esse propósito teria obviamente que se interrogar ademais sobre o que corresponderia, do lado da narratividade, às formas de raciocínio que Peirce chama de abdutivo e dedutivo).

38 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 97.

Nessas condições, para dar conta desse regime particularmente complexo enquanto fenômeno, o fato de que a manipulação tenha presente em si categorias tanto do segundo, quanto do terceiro, nos impulsiona a recorrer ao conceito peirciano, já citado, da interdependência das categorias fenomenológicas38. De acordo com esse princípio, pelo qual sabemos que a categoria do segundo não pode conter o terceiro, mas que a categoria do terceiro pode conter o segundo, encontramos que o regime da manipulação, apesar de muitos de seus aspectos remeterem à secundidade, se situa essencialmente na categoria do terceiro.

Porém, não pode ser a mesma terceiridade que nos permitiu há pouco dar conta fenomenologicamente do regime de programação. O fato de que, como é enfatizado na apresentação do modelo interacional, qualquer manipulação implica um risco assumido, um grau irredutível de incerteza devido a própria natureza da relação intersubjetiva (e.g. como saber se o outro sabe que eu sei que ele sabe ?), nos obriga a admitir que nesse regime a dimensão cognitiva não apresenta a qualidade de “força de lei” que corresponderia à terceiridade genuína. Por oposição à programação, em que a regularidade de certos algoritmos conhecidos pelo sujeito operador rege o comportamento dos “objetos”, e, por isso mesmo, permite “operar” com ou sobre eles sem grande risco de erro, na manipulação, regime fundado na intencionalidade dos sujeitos com os quais se interage, o saber relativo ao outro, à situação, a si mesmo, e, mais geralmente, à própria cognição, não pode ter a “força de lei”.

Ao contrário, a incerteza é aqui a regra : uma incerteza relativa (menor do que sob o regime do puro alea, maior do que com as “leis” (físicas) ou as “normas” (sociais) que alicerçam o regime da programação) mas, enquanto tal, irredutível. Entre manipulador e manipulado, nem mesmo vigora de modo estável e confiável a ideia de “hábito”, noção peirciana que corresponderia à forma de regularidade programática, quase certa e, portanto, razoavelmente segura (mas dessemantizada) que Greimas evoca em Da Imperfeição em termos de “rotina” e de fazer “automatizado”. Pois a “competência” dos atores da manipulação, ao combinar o querer, o saber e o poder, sempre envolve um grau definido, embora relativo e variável, de livre arbítrio e, portanto, de imprevisibilidade.

39 :
 Trad. nossa. Nos termos de Peirce : “(…) in genuine Thirdness, the (…) second is thought playing the role of a Secondness, or (...)
40 :
 Nos termos de Peirce : “(…) in the first degree of degeneracy the Thirdness affects the object, so that this is not of the nature of (...)
41 :
 Escritos coligidos, op. cit., p. 27.

Por tudo isso, mais uma vez, não seria correto falar aqui de uma “terceiridade genuína”. O presente dispositivo remete, antes, àquilo que Peirce qualifica de terceiridade “degenerada”, e, mais especificamente, à forma particular de terceiridade que ele chama de reativa. Na forma genuína de terceiridade o segundo intervém enquanto “pensamento cumprindo o papel da secundidade, ou evento. Ou seja, é da natureza geral da experiência ou informação39. Com a forma de terceiridade qualificada de degenerada, ou “reativa”, apresentam-se também, no fenômeno, marcas da secundidade, mas enquanto “a operação de execução de uma intenção40. Tal terceiridade reativa integra por pressuposição o componente cognitivo inerente ao regime da manipulação. Contudo, ela “subdividir-se-á à maneira da segunda categoria numa cadeia”41, ou seja, numa sucessão de etapas lógicas que nos termos do percurso narrativo canônico, são traduzidas na forma de uma cadeia de pressuposições a partir do fim (a “sanção” pressupõe a “performance”, que pressupõe a “competencialização”, a qual em seu turno pressupõe a “manipulação”), conforme o princípio cognitivo-volitivo da intencionalidade.

Para concluir

Como relacionar um triângulo e um quadrado ? Isso era o desafio que circundou a presente tentativa. O desdobramento da terceiridade, presente na própria teoria peirciana, o permitiu, mantendo, com as curvas orientadas do modelo interacional, a dinamicidade do trânsito entre regimes de interação e, daí, entre categorias de Peirce. Reapresentamos o diagrama, contando agora com as categorias fenomenológicas e sugerindo assim uma possível homologação entre as duas abordagens.

A fim de ilustrar as correspondências estabelecidas desse modo, utilizaremos um exemplo que Peirce fornece quando explica como se dá a relação entre a regularidade e a realidade na terceiridade :

42 :
 Ibid., p. 30.

(...) se vejo um homem regularíssimo em seus hábitos, sou impelido a apostar que não esquecerá de dar corda ao relógio no mês que vem — e os senhores tem somente duas hipóteses alternativas à escolha : i) Podem supor que algum princípio ou causa opera realmente para fazê-lo dar corda ao relógio diariamente (...), ou ii) Podem supor que é devido à mera probabilidade que suas ações até aqui tenham sido regulares ; e nesse caso, a passada regularidade não dá a mínima razão para que continue no futuro (...)42.

Não possuindo mais informações sobre tal narrativa, podemos pensar que, se o homem dá corda em seu relógio todos os dias por algum princípio ou causa, em um primeiro momento ele se encontra em uma posição de manipulação onde um destinador faz com que esse homem dê corda diariamente em seu relógio. Porém, caso essa situação se confirme como um hábito, como foi exposto na citação apresentada, passará então a executar tal programa narrativo de maneira automática, dessemantizada. Mas, seja por desgaste cotidiano ou alteração da massa corpórea do sujeito que utiliza o relógio, a pulseira encontra-se desgastada e precisa ser trocada para que o homem se sinta mais confortável. Desta maneira, de um uso habitual, regido pela programação, passando por um desconforto, até a necessidade de um ajustamento entre o homem e o relógio, temos uma relação entre os dois elementos, retomando o conceito de segundo.

São, portanto, muitas as afinidades entre as duas conceitualizações. Em primeiro lugar, como vimos, a noção de risco e probabilidade é inerente tanto aos regimes de interação, quanto às categorias peircianas. Recapitulando, o acidente e a primeiridade podem ser relacionados com o maior grau de risco e a menor previsibilidade, enquanto que seu contrário, a programação e a terceiridade, são os elementos com menor grau de risco e maior previsibilidade. O mesmo ocorre com os subcontrários, que são pontos de passagem ou posições intermediárias. Em particular, a noção da terceiridade reativa, a qual o elemento cognição está presente, mas ainda suscetível as falhas, devido ao fato de que se desdobra em ação e reação, faz jus ao regime da manipulação. Ao contrário, quando não houver (salvo acidente) possibilidades de falhas no sistema de causa efeito, a interação passará a tomar a forma de um hábito, partindo, portanto, para a programação circunscrita pela terceiridade.

43 :
 Ibid., p. 21.

Apesar de que a presente investigação se apresente, talvez, como demasiadamente ingênua, nos parece que tais homologações não só se justificam, mas também, enquanto primeira etapa, abrem caminho para estruturarmos uma relação mais sólida entre as duas teorias em pauta. Tratar-se-ia numa etapa sucessiva de procurar estabelecer os limites analíticos de uma e outra, com o objetivo de explorarmos de que modo, dialogando entre elas, cada uma, em razão mesma da sua especificidade mantida, poderia enriquecer a outra : uma forma de “ajustamento” no nível epistemológico. Por hora, deixemos que a experiência seja nossa única mestra “para deixar brotar o jorro poderoso da verdade”43.

Références bibliographiques haut de la page

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O que é semiótica, São Paulo, Brasiliense, 2012.

Notes - document 1 haut de la page

1  Cf. Umberto Eco, Tratado geral de semiótica (1976), tr. port. São Paulo, Perspectiva, 2a ed. 2000, assim como o conjunto de sua obra semiótica ; Jacques Fontanille, Semiótica do discurso (1998), tr. port. São Paulo, Contexto, 2007 ; Jean-François Bordron, L’iconicité et ses images. Études sémiotiques, Paris, P.U.F., 2011 ; Thomas Broden, “La sémiotique greimassienne et la sémiotique peircienne. Visées, principes et théories du signe”, Estudos Semióticos,10, 2, 2014.

2  Cf. A. J. Greimas e Joseph Courtés, Dicionário de semiótica (1979), tr. port. São Paulo, Cultrix, 2008. E. Landowski, Passions sans nom, Paris, P.U.F., 2004 ; id, Interações arriscadas (2005), tr. port. São Paulo, Estação das Letras e Cores, 2014 (no que segue, “IA” e número de página).

3  Cf. Mehr Licht! Sur les traces d’A. J. Greimas, dir. V. Estay e R. Horrein, https://www.youtube.com/wat ch?v=kMKejs-0Mig, 2017.

4  J.L. Fiorin, “Estruturas narrativas”, in A. C. de Oliveira (org.), As interações sensíveis, São Paulo, CPS e Estação das Letras e das Cores, 2013, p. 435.

5  Dicionário de semiótica, op. cit., p. 269.

6  Cf. A.J. Greimas, Da Imperfeição (1987), tr. port. São Paulo, Hacker, 2002 (reed. São Paulo, Estação das Letras e Cores e CPS, 2017). A.J. Greimas e J. Fontanille, Semiótica das paixões (1991) tr. port., São Paulo, Ática, 1993.

7  Passions sans nom, op. cit., p. 5 (trad. nossa).

8  Ibid., p. 63.

9  Ibid., pp. 267-268.

10  C.S. Peirce, “Escritos Coligidos”, in Os Pensadores, seleção de Armando M. D’Oliveira e Sergio Pomerangblum, São Paulo, Abril Cultural, 3a ed., 1983, p. 15.

11  Ibid., p. 37.

12  L. Santaella, O que é semiótica, São Paulo, Brasiliense, 2012, p. 43.

13  Escritos Coligidos, op. cit., p. 85.

14  Ibid., p. 17.

15  C.S. Peirce, “On a New List of Categories”, Proceedings of the American Academy of Arts and Sciences, 7, 1867, pp. 287-298.

16  Escritos Coligidos, op. cit., p. 17.

17  C. S. Peirce, Semiótica, São Paulo, Perspectiva, 4a ed., 2010, p. 24.

18  L. Santaella, “Como chegar à semiótica de Peirce”, Jornal da Tarde, Estado de São Paulo, caderno de programas e leituras, 8 de outubro de 1983, p. 6.

19  L. Santaella, Matrizes da linguagem e pensamento : sonora, visual e verbal. Aplicações na hipermídia, São Paulo, Illuminuras-FAPESP, 3a ed., 2005, p. 86.

20  E. Landowski, “Sociossemiótica : uma teoria geral do sentido”, Galaxia, 27, 2014, p. 16.

21  Escritos coligidos, op. cit. p. 88.

22  Da Imperfeição, op. cit., respetivamente p. 25, 35, 41, 49 e 57.

23  Ibid., p. 57.

24  C.S. Peirce, Reasoning and the Logic of Things : The Cambridge Conferences Lectures of 1898, Kenneth Laine Ketner (ed.), Cambridge, Harvard University Press, 1992, p. 173.

25  Escritos coligidos, op. cit., p. 18.

26  O que é semiótica, op. cit., p. 73.

27  C.S. Peirce, Semiótica e filosofia, São Paulo, Cultrix, 1972, p. 100.

28  Dicionário de semiótica, op. cit. p. 453, grifo nosso.

29  Escritos coligidos, op. cit., p. 25.

30  Ibid.

31  Ibid.

32  Escritos coligidos, op. cit., p. 91.

33  Dicionário de semiótica, op. cit., pp. 269-271.

34  Sobre o sentido antropológico da manipulação e seu papel de “re-fundação” dos sistemas de valores constitutivos do “social”, cf. Interações arriscadas, op. cit., pp. 92-94.

35  Escritos coligidos, op. cit., p. 18.

36  “The induction [...] attracts no attention, because it is what we naturally anticipate”. C.S. Peirce, The essential Peirce : selected philosophical writings, vol. 1 (1867-1893), Nathan Houser e Christian Kloesel (eds.), Bloomington, Indiana University Press, 1992, p. 195.

37  Trad. nossa. Nos termos de Peirce : “ [...] in convincing oneself that the same relations will always occur [...]” (CP 8.209). Collected papers (vol. 8), Burks (org.), Cambridge, Harvard University Press.

38  Escritos coligidos, op. cit., p. 97.

39  Trad. nossa. Nos termos de Peirce : “(…) in genuine Thirdness, the (…) second is thought playing the role of a Secondness, or event. That is, it is of the general nature of experience or information.” (CP 1.537). Collected papers (vol. 1), Hartshorne and Weiss (orgs.), Cambridge, Harvard University Press.

40  Nos termos de Peirce : “(…) in the first degree of degeneracy the Thirdness affects the object, so that this is not of the nature of a Thirdness — not so, at least, as far as this operation of degenerate Thirdness is concerned. It is that the third brings about a Secondness but does not regard that Secondness as anything more than a fact. In short it is the operation of executing an intention.” (CP 1.538).

41  Escritos coligidos, op. cit., p. 27.

42  Ibid., p. 30.

43  Ibid., p. 21.

DOCUMENT II

Eric LANDOWSKI
Université de Vilnius

De l’Imperfection : un livre, deux lectures.Préface à une traduction virtuelle

Texte intégral

1 :
 A.J. Greimas, De l’Imperfection, Périgueux, Fanlac, 1987 (101 p.).

La manière dont De l’Imperfection, le dernier livre de Greimas signé de son seul nom, a été reçu, lu, compris et interprété reste, trente ans après sa parution, un phénomène étrange1. Réputé d’accès plus facile que ses autres ouvrages, il a donné lieu à tant de malentendus qu’on peut se demander si ce n’est pas celui qui en réalité défie le plus une juste compréhension. Au moment où il paraît, il donne à tout le monde l’impression qu’un nouveau, un autre Greimas, un Greimas « écrivain » est né. Ceux qui n’avaient jamais cru à son projet scientifique s’enchantent de ce passage de la « rigueur » à la « saveur » qui confirme à leurs yeux la vanité de toute l’entreprise qui avait précédé : si lui, le sémioticien par excellence, renonce et passe à la littérature, c’est bien que son projet de science n’était qu’illusion ! A l’inverse, bien qu’en partie pour les mêmes raisons, quelques-uns (notamment, parmi les plus proches, Jean-Marie Floch) s’étonnent et même s’affligent parce qu’ils y voient une sorte de reniement. Mais la grande majorité des « greimassiens » adopte, elle, — et c’est tout le problème — une position mitigée consistant paradoxalement à élever ce livre au pinacle tout en en donnant une interprétation qui édulcore ce qu’il présente de plus audacieux. C’est pourtant cette lecture-là qui s’imposera très vite comme allant de soi.

2 :
 « De la imperfección, el libro del que se habla », in E. Landowski, R. Dorra et A.C. de Oliveira (éds.), Semiótica, estesis, (...)
3 :
 In J. Fontanille et N. Couégnas, Terres de sens, Limoges, Pulim, 2018 (à par.).
4 :
 En arabe, après celles en italien (1988), espagnol (1990), lithuanien (1991), polonais (1992), turc (1995), portugais (2002 et 2017) et (...)

Dans ce contexte, nous avons déjà proposé à plusieurs reprises une tout autre interprétation2. Ce qu’on se plaît en général à retenir de ce livre nous semble en effet heuristiquement dépourvu de toute portée, et inversement, ce qu’il présente d’incongru aux yeux de la plupart des tenants de l’approche standard constitue pour nous ce qu’il offre de plus prometteur. Nous avons par conséquent voulu dégager du livre ce qui nous semble constituer sa pertinence proprement sémiotique, montrer où elle se situe et mettre en évidence l’intérêt de la voie nouvelle ainsi ouverte. En vain : « A l’exception de la sémiotique des interactions proposée par Landowski, et des travaux qui s’en inspirent, cette voie, constate Jacques Fontanille, n’a guère été exploitée au plan épistémologique, tant elle semblait divergente »3. Si regrettable cela soit-il, c’est ainsi. Mais cette mise à l’écart de toute une partie de la pensée de Greimas, et du même coup celle aussi de l’approche qui s’y greffe, doit-elle pour autant être considérée comme nécessaire et définitive ? Sans doute pas, si, comme nous le croyons, elle tient avant tout à ce que le propos de ce livre a été dès le départ caricaturalement simplifié. A notre sens, le dossier mérite donc d’être réouvert. L’occasion vient de nous en être donnée par une mésaventure à laquelle l’ouvrage a échappé de peu, en l’occurrence une traduction si mauvaise qu’elle ne peut pas être publiée4. Le texte qui suit est la préface qui nous avait été demandée et qui reste inédite par suite de cet accident.


*

Vers le début des années 1980, devant son séminaire parisien de l’Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Greimas, pour la première fois, aborde de front la question de savoir de quelle manière nos rapports au monde prennent sens sur le plan de l’expérience sensible. Son attention ne porte guère sur la jouissance esthétique liée à la contemplation des œuvres d’art mais se concentre sur les impressions, dites « esthésiques », que nous éprouvons à la faveur de nos interactions avec les éléments les plus ordinaires du monde environnant à raison de leurs qualités sensoriellement perceptibles. De l’Imperfection, le fruit de cette réflexion, paraît en 1987. Ce petit livre plein de charme, écrit « pour et avec » Teresa M. Keane, tranche par rapport aux travaux antérieurs de l’auteur par le ton et par sa teneur à première vue moins « scientifique » que littéraire, morale et philosophique (et, par endroits, discrètement politique). Et pourtant, par delà cette apparence plaisante, d’allure essayiste, il marque une étape décisive du point de vue de la recherche théorique en ce qu’elle a de plus rigoureux. Sorte de testament intellectuel, cette méditation sur l’expérience du sens tel qu’il se donne à saisir sur le plan vécu sans passer par la médiation du langage a en effet ouvert à la fois une voie de réflexion inédite dans le contexte des sciences de la signification et de nouvelles perspectives en termes d’analyse. A ce titre, il constitue aujourd’hui encore une source d’inspiration essentielle pour tout sémioticien attaché à ce que la sémiotique, dans son développement en tant que projet de science, reste aussi proche que possible de la vie.

5 :
 Cf. J.-Cl. Coquet, La quête du sens. Le langage en question, Paris, PUF, 1997 ; G. Bucher, « De la perfection de la théorie à (...)

La focalisation sur le vécu, qui constitue le propre de ce texte aux accents par endroits très personnels, est d’autant plus notable que la démarche de l’auteur avait témoigné jusqu’alors de préoccupations bien différentes. Ses travaux et ceux de son entourage s’étaient toujours inscrits dans une perspective épistémologique de type dualiste qui semblait d’autant plus aller de soi qu’elle est à la base de toutes les disciplines scientifiques, aussi bien humaines et sociales que naturelles, même si l’écho lointain des découvertes de la physique contemporaine, et surtout l’exemple proche des audaces épistémologiques de la phénoménologie, en l’occurrence celle de Merleau-Ponty, avaient déjà incité plus d’un sémioticien à la mettre en question5. Selon cette perspective classique, le sujet connaissant est censé se trouver face à un monde-objet articulé, conçu comme un donné intelligible parce qu’obéissant à des lois elles-mêmes connaissables, à condition de se placer à la distance d’observation adéquate. Subordonnant ainsi la possibilité du connaître à une stricte séparation entre le chercheur et son objet, une telle stratégie cognitive implique le rejet d’un autre mode de connaissance, ou mieux, de compréhension, qui privilégie au contraire le rapport à la présence sensible des éléments à appréhender dans l’immanence d’un rapport interactif vécu (à la limite, sur un mode participatif ou empathique) entre observateur et observé, analysant et analysé. Entre l’adoption d’une distance objectivante et une démarche compréhensive de ce genre, il faut donc choisir.

6 :
 J. Geninasca, « Le regard esthétique », Actes Sémiotiques-Documents, VI, 58, 1984 (rééd. in La parole littéraire, Paris, P.U.F., (...)
7 :
 Sémantique structurale, Paris, Larousse, 1966 (rééd. PUF, 1986).
8 :
 Cf. sur ce point J. Fontanille, « Les voies (voix) de l’affect », Actes Sémiotiques, 120, 2017 et E. Landow­ski, « Le papillon (...)

C’est cette alternative que Greimas a l’audace de chercher à dépasser. Bien qu’il ne le proclame à aucun moment, il ne s’agit pas moins que de transcender le rapport d’exclusion réciproque usuellement admis entre, d’un côté, le décryptage distancié ou, métaphoriquement, la lecture de significations dont le caractère intelligible tient à ce qu’elles sont articulées ou articulables en unités discrètes, et, de l’autre, la saisie dynamique et sensible du sens sur le mode d’une appréhension globale, en acte et de type « impressif », comme l’appelait déjà Jacques Geninasca dans un travail légèrement antérieur à De l’Imperfection6. Pourtant, Greimas ne renonce pas à la quête d’intelligibilité à laquelle il s’était méthodiquement consacré depuis Sémantique structurale7, livre où la question d’un tel dépassement avait d’ailleurs été posée en théorie, pour être provisoirement tranchée, de fait, en faveur de la première option8. Vingt ans plus tard, contrairement à ce que beaucoup ont cru ou voulu comprendre en prenant connaissance de son nouveau livre, il n’a pas subitement décidé de faire le choix inverse et de passer à une « autre » sémiotique, moins austère et plus accessible, plus « littéraire » parce que tournée vers l’impressif, le sensible et le vécu — et pas non plus choisi de mener désormais en parallèle deux approches distinctes et complémentaires comme si les deux modes de notre compréhension du monde constituaient des sphères autonomes (ce qui serait évidemment revenu à maintenir le clivage dont on voulait s’affranchir).

9 :
 Dans le cas particulier de Greimas, théoricien à cheval sur deux cultures, on pourrait même retrou­ver cette séparation (quitte à (...)
10 :
 Cf. « Pour une sémiotique sensible », in Passions sans nom, op. cit., chap. 2.
11 :
 A.J. Greimas, « Sémiotique figurative et sémiotique plastique », Actes Sémiotiques-Documents, 60, 1984.  Sur les répercussions (...)

C’est donc d’autre chose qu’il s’agit. De l’Imperfection n’est pas la tardive découverte du sensible par un rationaliste repenti. Ce que ce livre apporte de fondamentalement nouveau tient par contre à ce que les deux régimes de connaissance (et, à partir de là, plus largement, de rapports au monde) qui sont en jeu et qui, chez cet auteur comme chez tant d’autres théoriciens, avaient auparavant été tenus séparés9, vont ici se trouver pratiqués conjointement et commencer à être théoriquement articulés l’un à l’autre. Cela par conséquent non pas en inaugurant une sémiotique particulière qui aurait été spécifiquement celle « du sensible », mais dans le cadre de la sémiotique tout court, quitte à ce que, pour rester une, elle se fasse elle-même « plus sensible »10. D’où la mise en place progressive, dans ce livre et ensuite ailleurs, par l’auteur et quelques-uns de ses proches, des nouveaux concepts théoriques et analytiques nécessaires à cet effet, essentiellement à partir de l’idée d’« esthésie ». Il est vrai qu’on en trouvait déjà plus qu’une ébauche dans un article de 1984, « Sémiotique figurative et sémiotique plastique », en référence aux travaux de Jean-Marie Floch et de Felix Thürlemann sur l’intelligibilité du « plastique » comme composante sensible du sens sur le plan visuel11. Mais c’est seulement avec De l’Imperfection qu’est effectué le pas décisif.


*

De quelle manière cette réconciliation est-elle rendue possible ? La réponse n’apparaîtra que dans la seconde partie du livre. Il en résulte que selon la lecture, partielle ou complète, qu’on fait de l’ouvrage, la théorie de l’expérience sensible que Greimas élabore ici sur un mode implicite admet deux interprétations très différentes.

La première prend appui sur les analyses d’« accidents esthétiques » conduites dans la partie initiale (« La fracture ») à partir de brefs récits de Michel Tournier, Italo Calvino, Rainer Maria Rilke, Junichiro Tanizaki et Julio Cortazar. En chaque cas, mais surtout dans les trois premiers, l’expérience sensible, éprouvée à la faveur d’une rencontre accidentelle, prend la forme d’une brusque mise en contact du sujet avec un objet en lui-même banal mais chargé d’un potentiel esthésique puissant. Dans le poème de Rilke, c’est une soudaine bouffée de parfum qui s’élève d’un jardin et rompt la pesante langueur d’un après-midi d’été ; dans la nouvelle de Calvino, c’est la vue surprenante d’une femme allongée à demi nue sur une plage ; et dans le roman de Tournier, c’est l’arrêt déconcertant d’une clepshydre qui, par l’interruption inopinée qu’il crée « dans le cours du temps », saisit le héros (Robinson, perdu sur son île) d’une émotion si forte qu’elle équivaut pour lui à la soudaine révélation d’un sens — indicible mais éblouissant — qui tranche du tout au tout par rapport au train-train de son existence solitaire marquée par la monotonie et un certain vide de sens.

En systématisant certaines convergences qui ressortent des rapides analyses données tour à tour de ces textes, la plupart des commentateurs se sont plus à ramener les conceptions esthétiques de Greimas à une doctrine « canonique » d’une extrême simplicité. Elle s’articule syntagmatiquement sous la forme du schéma suivant : i) d’abord (conformément à une logique narrative familière depuis Propp), un manque engendré par la platitude de la vie de tous les jours, sorte de vague à l’âme à la Bovary rebaptisé « attente de l’inattendu » ; ensuite, ii), miracle propre à combler cette attente, une « fracture » fortuite dans l’ordre habituel des choses, pur « accident » qui provoque l’extase parce que son irruption fait soudainement entrevoir, par-delà les apparences ordinaires, un monde « autre », hautement chargé de sens et de valeur, plus « vrai » : c’est là le moment esthétique proprement dit, aussi éphémère qu’imprévu (et imprévisible) ; et à peine vécu ce sublime instant d’« éblouissement », vient enfin, iii), l’inévitable retour au monde « banalisé » et « automatisé » du début : voyage en sens inverse, morose « rechute » dans la routine.

Parcours en trois étapes, donc, mais qui, en prenant la forme d’un inéluctable va-et-vient, se ramène à une articulation strictement binaire sur tous les plans. Sur le plan spatial en premier lieu, avec deux univers radicalement séparés : d’un côté (au commencement et au terme du périple), le monde sans relief d’une quotidienneté parfaitement intelligible mais réduite à la morne répétition de « significations dénotatives », « désémantisées » par l’« usure » ; de l’autre, l’espace utopique d’une commotion sensible (et en premier lieu, plus précisément, sensorielle) vécue à la façon d’un « éclair passager », comme une « illumination » qui dépasse l’entendement et oblige à « fermer les paupières ». La même dichotomie articule la temporalité selon deux régimes aspectuels opposés : itérativité de la routine initiale et terminale, ponctualité de l’accident qui vient l’interrompre. Mais surtout, se superposant à tout cela, se dessinent deux régimes de sens antithétiques.

Le premier, celui en vigueur aux deux extrêmes du parcours, régit une forme d’existence programmée, vouée à la fois à l’« insignifiance » et à l’« an-esthésie » ; le second, celui propre à l’instant intermédiaire et accidentel de grâce esthésique, fait au contraire pressentir quelque chose comme un sens qui dirait l’essence même des choses mais qui échappe à une véritable prise parce qu’il n’est appréhensible qu’à peine le temps d’un éclair et peut-être, plus profondément, parce qu’il est par nature d’un ordre qui transcende l’appréhensible. Ainsi l’expérience du sens oscille-t-elle en somme entre deux négativités, l’une par insuffisance — ne rimant à rien, la routine crée le sentiment qu’un manque, fait éprouver un vide —, l’autre par excès : c’est tout à coup une présence du sens si forte, si intense qu’elle dépasse et annihile la capacité d’entendement. L’alternative est donc désespérément « forclose » : ou bien (au début et en fin de parcours) ne rien sentir (an-esthésie) et en même temps comprendre parfaitement… qu’il n’y a rien à comprendre, pour cause d’insignifiance ; ou bien (à l’instant de l’accident) sentir — sentir corps et âme, et même jusqu’à l’extase — qu’il y a du sens, mais ne pas pouvoir le saisir, pour cause d’éblouissement.

Dans son principe, cette schématisation inverse à l’évidence la hiérarchie des valeurs attribuées au sensible et à l’intelligible en tant que modes de connaissance traditionnellement opposés. Transgression de tout ce que recommande la sagesse épistémologique, on assiste d’abord à une extraordinaire survalorisation de la saisie sensible puisqu’elle apparaît ici comme l’unique moyen d’accès, intuitif et immédiat mais dramatiquement éphémère (et en définitive frustrant) à un sens qui, dans la mesure même où il paraît au-delà du dicible, tend à passer pour la « vérité du sens », pour un « outre-sens », diront même certains commentateurs à tendance mystique. Corrélativement et de façon tout aussi peu conventionnelle, c’est le contraire pour ce qui est de l’intelligible : l’assimilation du « savoir dénotatif » à une collection de contenus « désémantisés » par « usure » à force d’avoir été répétés dévalorise par avance et donc décourage toute quête cognitive : à quoi bon chercher à connaître et à comprendre si l’intelligible et le connu finissent inévitablement par tomber dans l’insignifiance ?

Cependant, si hétérodoxe soit-elle, cette interversion des valeurs n’en maintient pas moins telle quelle — et même, d’une certaine façon, renforce — la dichotomie de départ, dont elle ne fait que redistribuer différemment les termes. Si bien qu’à l’issue de la première partie du livre nous nous trouvons toujours devant la même alternative entre connaître (mais en se demandant désormais à quoi bon) et sentir (mais de façon si aveuglante et si brève qu’on ne saurait dire quoi au juste). Alors même que toute une conception classique du savoir vient de la sorte d’être implicitement mise en cause, on se trouve par conséquent toujours aussi loin du dépassement que nous annoncions. Et comme dans ces conditions aucune conciliation ni voie de passage n’est concevable entre les deux pôles de l’alternative, il ne restera pour qui a vécu l’« accident esthétique » rien d’autre qu’un « arrière-goût de nostalgie ». Comme l’écrivait naguère Ivan Darrault,

12 :
 I. Darrault, « Une aventure de Greimas en Phénoménologie : “Le Guizzo”, chapitre de De l’Imperfection », Actes Sémiotiques, (...)

L’aventure phénoménologique de Greimas (…) s’est trop vite interrompue (…). Cette aventure, pourtant heureusement commencée, ne dure guère que le temps fulgurant de l’expérience même de Palomar. Le voile du paraître s’était pourtant déchiré, l’être du monde, de la réalité apparaissait enfin. Il faut croire que, tout comme le soleil et la mort ne se peuvent contempler en face, l’être demeure insoutenable.12

Bien qu’elle ne débouche sémiotiquement parlant sur aucune proposition heuristique particulière, cette interprétation parente des théories du sublime en même temps qu’empreinte d’un certain romantisme à raison de son côté désespéré est devenue après la mort de l’auteur (en 1992) une rengaine scolaire inlassablement répétée, sans doute en partie parce que le caractère simpliste de son organisation binaire la rend facile à mémoriser. Ce succès est néanmoins surprenant, ne serait-ce que compte tenu du fait qu’elle ne prend en considération que trois chapitres de la première moitié du livre. Elle masque ainsi ce qu’il comporte de plus riche et de plus novateur, qui reste à découvrir dans la seconde, intitulée « Les échappatoires » (pp. 69-98).


*

Or, dès la page 71, premier paragraphe — « Immanence du sensible » —, exit le schéma en forme d’aller et retour, et changement radical de perspective et de registre ! Ne se limitant plus à rapporter des témoignages fournis par la littérature, Greimas parle maintenant pour son propre compte. Ce qu’il va nous proposer sera assurément plus substantiel et d’une autre envergure que de vagues états d’âme ! Et pour cela, il faut à l’évidence une démarche plus constructive que la morose attente de l’inattendu.

13 :
 Sur ce découplage décisif, cf. E. Landowski, Les interactions risquées, Limoges, Pulim, 2005, pp. 64-65.

L’essentiel du propos peut se résumer en disant que l’attente passive de l’accident éblouissant fait place à une activité dont le sujet prend l’initiative. C’est ce que l’auteur appelle le « faire esthétique » : l’expérience esthésique devient l’objet d’une quête délibérée, poursuivie dans la durée et qui a sa place « dans nos comportements de tous les jours ». Cela suppose un découplage des deux composantes qui dans la première partie avaient été présentées syncrétiquement sous le nom d’« accident esthétique »13. Car s’il est évident que les accidents sont loin d’être tous « esthétiques », il ne l’est pas moins que les expériences esthétiques ne sont pas nécessairement, et donc pas toutes « accidentelles ». A côté de l’esthétique du sublime avec son côté extatique tout proche du sacré et même, à la limite, du mysticisme, où le moment signifiant apparaît sur un mode quasi-épiphanique comme l’effet d’un hasard ou d’une grâce providentielle, il y a place en effet, aussi, pour une conception plus conforme à la démarche intellectuelle habituelle de l’auteur — une conception plus terre-à-terre peut-être en apparence, mais surtout plus positive du rapport au monde et des conditions dans lesquelles il nous apparaît comme chargé de sens.

14 :
 Cf. id., « L’esthésie comme processus et comme apprentissage », Passions sans nom, op. cit., pp. 153-158.

Cette autre conception commande une démarche méthodique (en cela comparable, note Greimas, à celle du chercheur) visant la « construction d’objets de valeur » sur le plan esthésique. L’auteur évoque à ce propos des pratiques très diverses, depuis le travail de composition poétique ou musicale jusqu’au « lèche-vitrines », exercice certes futile et pourtant fait, comme l’activité du compositeur, d’une longue suite de tentatives et de réflexions, d’hésitations et de tâtonnements en vue de l’obtention d’un ensemble bien ajusté de formes et de matières. En ce point, c’est à un véritable effort d’éducation sémiotique que ce livre nous invite, à un auto-apprentissage visant une meilleure maîtrise de la compétence latente que chacun possède pour éprouver la présence des qualités sensibles du monde, et en même temps comprendre le sens qui se donne à saisir à travers cette présence même14.

15 :
 Ce que Felix Thürlemann, précurseur en ce domaine, avait jadis défini et analysé sous le nom de sens « physionomique ». Cf. A.J. (...)

Or il faut pour cela que le « sensible » ne relève pas d’une essence qui échapperait par nature à l’entendement et à l’analyse. C’est sans doute, dans ce livre, le postulat le plus riche pour le développement avenir des recherches : si le sensible n’est pas réductible au passionnel, il ne se confond pas non plus avec l’ineffable. Il ne se définit pas comme l’opposé de ce que la pensée articulée peut formuler, c’est-à-dire comme l’envers de l’intelligible. Au contraire, le sensible est lui-même intelligible. D’abord parce qu’il est, si on peut dire, « intelligent » : la saisie esthésique est une forme de compréhension du monde. Sentir, c’est avoir, par la médiation des organes sensoriels, l’expérience immédiate d’effets de sens émanant des modulations qualitatives et rythmiques qui animent les données perceptibles. Non seulement le sensible « se sent » (par définition), mais aussi il fait sens (raison pour laquelle, entre autres, l’intelligibilité des discours tient en partie à ce qu’il y a déjà du sens à saisir dans la forme et même dans la matière du signifiant15).

Mais si le sensible est intelligible, c’est aussi parce qu’on peut en rendre compte. De fait, le sens esthésique a beau relever d’une saisie « immédiate » (avec, cela va de soi, les restrictions découlant des prédéterminations culturelles de toute saisie), ses conditions d’émergence n’en obéissent pas moins à des régularités repérables et descriptibles. Ce que nous éprouvons au contact des qualités du monde est en effet positivement fondé sur des propriétés sémiotiques, dites plastiques, immanentes aux manifestations qui nous « touchent » au sens propre, tactilement, ou visuellement, auditivement, etc., ou tout cela ensemble, et le plus souvent en association à quelque mouvement. Si bien que l’une des principales tâches du sémioticien est aujourd’hui de dégager les catégories du plan de l’expression qui, en articulant ses composantes plastiques et sa dynamique, font sens. La sémiotique narrative est parvenue, comme on sait, à dégager les régularités syntaxiques et sémantiques qui organisent textes et pratiques de manière telle qu’ils aient pour nous de la signification. De même, une grammaire du sensible est dès à présent théoriquement à portée de vue.


*

Ce n’est cependant pas tout. Le renouveau suscité par De l’Imperfection va plus loin. A raison même de ce que ce livre apporte, comme on vient de le noter, sur le plan de la « discursivité », il oblige à revoir aussi les bases de la narrativité elle-même. Il en résultera bientôt une refonte presque complète également sur ce plan.

16 :
 Cf. A.J. Greimas et J. Fontanille, Sémiotique des passions. Des états de choses aux états d’âme, Paris, Seuil, 1991.

La grammaire narrative n’avait précédemment pris en considération qu’un type déterminé d’interactions qu’on peut rétrospectivement caractériser comme médiates du fait qu’elles ne mettaient les actants-sujets en relation les uns avec les autres que par l’intermédiaire d’objets de valeur ayant vocation à circuler entre eux sur le mode de l’échange. C’est ainsi qu’à elles seules, la position, la qualité et la valeur, par nature changeantes, des actants-objets étaient censées déterminer, moyennant des opérations successives de « jonction », toutes les variations d’états susceptibles d’affecter les sujets jusque dans leur intériorité ou leur subjectivité. La « vie intérieure » se trouvait en conséquence ramenée à une suite d’alternances entre des états euphoriques liés à des « conjonctions » avec les valeurs positives, ou dysphoriques, découlant des « disjonctions » correspondantes (ou de conjonctions avec des objets valorisés négativement). Non seulement toute la théorie de l’action induite par la grammaire narrative classique repose sur cette façon de voir, mais c’est elle aussi qui sous-tend l’approche sémiotique des « passions » développée plus tard, où on voit le même principe syntaxique de la circulation des objets de valeur (modale ou descriptive) régir les « états d’âme » des sujets16.

17 :
 A.J. Greimas, « Les objets de valeur » (1973), rééd. in Du sens II, Paris, Seuil, 1983. J. Fontanille et Cl. Zilberberg, (...)
18 :
 Cf. par exemple A. Kharbouch, « Manipulation et contagion : le discours ambivalent du populisme politique », Actes Sémiotiques, (...)

Ainsi, depuis les premiers textes de Greimas sur les « objets de valeur » jusqu’aux réfle­xions plus récentes sur la « valeur des valeurs » (ou « valence »)17, se dessine un continuum thématique homogène dont le caractère globalement économique, fondé sur la loi de l’échange, constitue le noyau idéologique. Tout y est placé sous la dépendance du principe de la « quête », de la conquête ou de la perte des valeurs qui s’était imposé dès le départ, à partir de Propp, avec le motif de la liquidation d’un « manque » posé comme originaire et présenté comme ne pouvant être vécu que sur le mode de la privation sinon de la frustration : logique de l’appropriation du monde (ou de sa réappropriation18). Parallèlement, c’est une logique de la possession qu’on trouve à la base des analyses narratives de configurations passionnelles telles que l’attente, la colère, l’avarice ou la jalousie. La figure de l’« autre » (personne ou chose) y est cantonnée dans la position non seulement de l’objet syntaxique (celle de l’objet du désir) mais aussi d’un objet-bien (thésaurisable ou consommable) dont on dispose à sa guise pour peu qu’on en soit devenu le possesseur et maître — le propriétaire. Pour le sujet narratif en quête de conjonctions, il n’est en somme de rapports concevables avec le monde, y compris les autres sujets, que ceux consistant à les soumettre à ses visées de domination et en dernière instance à ses besoins de consommation.

19 :
 Cf. en particulier L. Tatit, « A semiótica e Merleau-Ponty », in A.C. de Oliveira et E. Landowski (éds.), Do inteligível ao (...)
20 :
 Cf. J.-P. Sartre, L’être et le néant, Paris, Gallimard, 1947, notamment p. 325.
21 :
 Cf. M. Merleau-Ponty, Phénoménologie de la perception, Paris, Gallimard, 1945, passim ; id., La prose du monde, Paris, Gallimard, (...)

La découverte, ou la redécouverte des années 1990, directement liée à la parution de De l’Imperfection en même temps qu’à la relecture de Merleau-Ponty19 et, pour quelques-uns, de Sartre, c’est l’intuition qu’il existe aussi, en tant que positivités sémiotiquement analysables, des interactions non médiates, indépendantes de tout transfert d’objets. Car quels que puissent être les rapports de possession qui unissent sujets et objets ou qui jettent leurs possesseurs les uns contre les autres, autrement dit indépendamment des relations entretenues vis-à-vis de ce qui est considéré (ou au moins traité) comme étant de l’ordre de l’avoir, les sujets vivent aussi, entre eux et par rapport à leur milieu, ce que Sartre appelle des « liens d’être »20. Ou, selon une conceptualisation inspirée de Merleau-Ponty, avant de se décomposer en unités discrètes investies de significations et chargées de valeurs offertes à notre prise ou à notre convoitise, le monde nous est esthésiquement présent en tant que totalité faisant sens21. Et c’est bien cela aussi la leçon de De l’Imperfection. Ici, plus de manipulateurs en quête de conjonction avec tel ou tel « objet de valeur » mais, de Palomar à la jeune fille au piano, des sujets sensibles pour qui c’est le simple « être-au-monde » qui, en tant que tel et immédiatement, fait qu’il y a (ou peut y avoir) du sens.

22 :
 Cf. E. Landowski, « Présence à soi, présence au monde », Présences de l’autre, Paris, P.U.F., 1997, pp. 89-94.
23 :
 Cf. « Jonction versus Union », Passions sans nom, op. cit., pp. 57-69.

D’où le travail que nous avons entrepris pour formuler une problématique du sens en tant que produit d’une dynamique de la coprésence22. Cela revenait à adjoindre à la syntaxe de la jonction qui sous-tend l’approche des processus interactionnels pensés sur le mode stratégique de la persuasion et de la manipulation, c’est-à-dire du faire faire, composante acquise de la grammaire narrative, une syntaxe du faire être mettant en jeu un autre type de relations entre actants, de l’ordre du contact et plus généralement de ce que nous sommes convenu d’appeler l’union23. Alors que le propre de la jonction est de faire transiter, comme des tiers — des intermédiaires — entre les sujets des objets par avance censés avoir de la signification (et par là une valeur déterminée), selon la syntaxe de l’union, c’est la présence directe des interactants les uns aux autres, corps à corps ou « les yeux dans les yeux », qui, dans sa dynamique, possède en elle-même le pouvoir de faire sens, en acte. Le « sens » procède alors de la rencontre entre des instances actantielles redéfinies en termes esthésiques (et non plus seulement modaux) : d’un côté, des sujets doués d’aptitudes à sentir (d’une compétence esthésique), de l’autre, des manifestations dotées d’une consistance esthésique faite de qualités plastiques et dynamiques offertes à la perception, telles par exemple, dans une conversation, la gestuelle ou le rythme d’élocution des interlocuteurs. D’où l’extension considérable du champ d’analyse empirique ainsi ouvert.

Cette problématique inspirée par De l’Imperfection ne se pose pas pour autant comme une alternative à la sémiotique narrative classique et au modèle jonctif. Dans le registre qui est le sien, la syntaxe de la jonction conserve en effet toute sa validité et son efficacité descriptive. Elle permet de rendre compte efficacement d’une multitude d’interactions fondées sur le res­pect ou au contraire la violation d’accords contractuels définissant le « comme il faut » idéologique qui, dans nos sociétés éclairées et policées, recouvre de son aimable « voile du paraître » le jeu des rapports de force — jeu lui-même sémiotiquement analysable, en termes de « programmation », autre régime interactionnel lui aussi envisagé par Greimas, bien que beaucoup plus marginalement. Par rapport à la syntaxe jonctive, la logique de l’union (et le régime d’interaction dit de l’« ajustement » qu’elle recouvre) procède d’une vision et d’une visée radicalement « hors norme » en ce sens que les notions d’« objet de valeur », de « destinateur » (qui fixe les valeurs), de « contrat », et d’autres qui vont de pair n’y ont plus aucune pertinence. Il n’en reste pas moins que ces deux perspectives (on pourrait dire ces deux « philosophies » de la vie) s’interdéfinissent et se présupposent l’une l’autre, comme les deux faces de la lune.

24 :
 Cf. E. Landowski, « Shikata ga nai, ou Encore un pas pour devenir sémioticien ! », Lexia, 11-13, 2012.

La seconde, celle de l’union, permet elle aussi de décrire, d’analyser, de comprendre et même d’expliquer certaines interactions porteuses de sens — en l’occurrence des interactions qui, à la différence de celles dont rend compte le schéma narratif « canonique », ne relèvent, comme dit Greimas dans le livre qui nous occupe, que de l’« immanence du sensible » : des interactions où n’interviennent ni instance transcendante pour fixer le sens du sens et la valeur des valeurs ni règles du jeu a priori, qui ignorent l’esprit de calcul, les contraintes de l’échange et les stratégies manipulatoires aussi bien que toute forme de déterminisme programmateur — autrement dit, dont le principe n’a pu être sémiotiquement reconnu (si­non admis) qu’en affranchissant la grammaire narrative des limites qu’elle s’était initialement imposées en se laissant si on peut dire contaminer par le sens commun propre à notre culture, avec notamment l’adoption d’une conception transcendantale du sens24.

Enfin, ultime répercussion de ce livre, les distinctions théoriques qu’il a conduit à établir en vue d’analyser la compétence sémiotique d’interactants qui, en fonction des contextes, construisent le « sens de la vie » alternativement selon la jonction et selon l’union s’appliquent en principe aussi au méta-sujet sémioticien dans ses pratiques d’analyste. La théorie sémiotique devrait, autrement dit, se construire, et les analyses s’effectuer certes, pour une part, en relation d’extériorité objectivante face à l’« objet » (selon le vocabulaire de type jonctif), mais aussi, et peut-être surtout en « union » avec la matière — le texte, la situation, la pratique, l’expérience — dont elles prétendent rendre compte, en l’envisageant alors comme un co-sujet interactif et en assumant par rapport à elle un régime de rapports sensibles. En ce sens, le style n’est pas accessoire mais constitutif. Celui qui a frappé les lecteurs du « dernier Greimas » représente le geste même d’une pensée à la fois « sensible » et analysante, « en acte » comme on dit. Appréhender comment le monde nous saisit sur le plan vécu, et à partir de là non pas — autre expression de l’auteur — « fermer les paupières » mais tenter de décrire quasi phénoménologiquement l’expérience de la rencontre entre une disponibilité à sentir et un dispositif sensible, tel serait en somme l’objectif.


*

25 :
 L’éventail des travaux dont la problématique se fonde pour une part décisive sur ce livre est trop large pour qu’on puisse ici les (...)

Les interprétations dominantes qui aboutissent à réduire ce livre à une variante de l’esthétique du sublime ou à y déceler une régression vers l’ineffable constituent donc, du moins à nos yeux, de lourds contresens. Renouant avec les premiers postulats du travail fondateur qu’avait été Sémantique structurale, De l’Imperfection a joué à la vérité le rôle d’un texte refondateur, autant sur le plan théorique que du point de vue de la philosophie qui sous-tend, motive et justifie la pratique de la recherche sémiotique. Et en dépit des résistances, l’appel n’est pas resté lettre morte. Il a été parfaitement entendu par une nouvelle génération de chercheurs qui, faisant fi des objections soulevées par les tenants d’une stricte tradition textualiste, s’emploient aujourd’hui à rendre compte de l’expérience du sens investi dans les choses et dans nos pratiques de tous ordres25. Ce livre a ainsi été à l’origine d’un renouveau intellectuel qui dépasse le plan académique et concerne tout simplement le rôle du sémioticien dans la société et dans la vie.

Références bibliographiques haut de la page

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Coquet, Jean-Claude, La quête du sens. Le langage en question, Paris, PUF, 1997.

Darrault, Ivan, « Une aventure de Greimas en Phénoménologie : “Le Guizzo”, chapitre de De l’Imperfection », Actes Sémiotiques, 115, 2012.

Demuru, Paolo, Essere in gioco, Bologne, Bononia University Press, 2014.

Fontanille, Jacques, « Les voies (voix) de l’affect », Actes Sémiotiques, 120, 2017.
— et Claude Zilberberg, Tension et signification, Sprimont, Mardaga, 1998.
— et Nicolas Couégnas, Terres de sens, Limoges, Pulim, 2018 (à par.).

Geninasca, Jacques, « Le regard esthétique », Actes Sémiotiques-Documents, VI, 58, 1984 (rééd. in La parole littéraire, Paris, P.U.F., 1997).

Greimas, Algirdas J., Sémantique structurale, Paris, Larousse, 1966 (rééd. PUF, 1986).
— « Les objets de valeur » (1973), rééd. in Du sens II, Paris, Seuil, 1983.
— « Sémiotique figurative et sémiotique plastique », ActesSémiotiques-Documents, 60, 1984.
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Notes - document 2 haut de la page

1  A.J. Greimas, De l’Imperfection, Périgueux, Fanlac, 1987 (101 p.).

2  « De la imperfección, el libro del que se habla », in E. Landowski, R. Dorra et A.C. de Oliveira (éds.), Semiótica, estesis, estética, Puebla-São Paulo, UAP-Educ, 1999 ; version port. remaniée, « O livro do qual se fala », in A.J. Greimas, Da Imperfeição, São Paulo, Hacker, 2002 ; version fr. augmentée in Passions sans nom, Paris, PUF, 2004 (ch. 2) ; nouvelle version port. in Com Greimas. Interações semióticas, São Paulo, Estação das Letras e Cores-CPS, 2017 (ch. 7).

3  In J. Fontanille et N. Couégnas, Terres de sens, Limoges, Pulim, 2018 (à par.).

4  En arabe, après celles en italien (1988), espagnol (1990), lithuanien (1991), polonais (1992), turc (1995), portugais (2002 et 2017) et persan (2010).

5  Cf. J.-Cl. Coquet, La quête du sens. Le langage en question, Paris, PUF, 1997 ; G. Bucher, « De la perfection de la théorie à l’imperfection des lettres », in E. Landowski (éd.), Lire Greimas, Limoges, Pulim, 1997 ; M.P. Pozzato, « L’arc phénoménologique et la flèche sémiotique », ibid. ; H. Parret, « Présences », Nouveaux Actes Sémiotiques, 76, 2001.

6  J. Geninasca, « Le regard esthétique », Actes Sémiotiques-Documents, VI, 58, 1984 (rééd. in La parole littéraire, Paris, P.U.F., 1997).

7  Sémantique structurale, Paris, Larousse, 1966 (rééd. PUF, 1986).

8  Cf. sur ce point J. Fontanille, « Les voies (voix) de l’affect », Actes Sémiotiques, 120, 2017 et E. Landow­ski, « Le papillon tête-de-Janus. A propos de Sémantique structurale, quarante ans après », Significação, 6, 2006 (version remaniée, Actes Sémiotiques, 110, 2007).

9  Dans le cas particulier de Greimas, théoricien à cheval sur deux cultures, on pourrait même retrou­ver cette séparation (quitte à grossir un peu le trait) jusque sur le plan linguistique : dans ses œuvres en français, la distance, l’objectivation, l’impersonnel du « on » au service de l’intelligible — dans celles en lithuanien, le vécu et la présence du « je » sensible et éprouvant. Sur le second aspect, voir le volu­me d’écrits récemment traduits : Algirdas J. Greimas, Chroniques lithuaniennes, Limoges, Lambert-Lucas, 2017, ainsi que, plus largement, A. Sverdiolas (éd.), Algirdas J. Greimas : asmuo ir idejos, Vilnius, Baltos Lankos, vol. I, 2017 (776 p., non traduit).

10  Cf. « Pour une sémiotique sensible », in Passions sans nom, op. cit., chap. 2.

11  A.J. Greimas, « Sémiotique figurative et sémiotique plastique », Actes Sémiotiques-Documents, 60, 1984.  Sur les répercussions de ce texte, cf. E. Landowski, « Po dvidesimties metu » (Vingt ans après), Baltos lankos, 23, 2006 (avant-propos à la traduction en lithuanien) ; trad. port., « Vinte anos depois. A propósito de “Semiótica figurativa e semiótica plástica” », in Com Greimas, op. cit. (ch. 6).

12  I. Darrault, « Une aventure de Greimas en Phénoménologie : “Le Guizzo”, chapitre de De l’Imperfection », Actes Sémiotiques, 115, 2012.

13  Sur ce découplage décisif, cf. E. Landowski, Les interactions risquées, Limoges, Pulim, 2005, pp. 64-65.

14  Cf. id., « L’esthésie comme processus et comme apprentissage », Passions sans nom, op. cit., pp. 153-158.

15  Ce que Felix Thürlemann, précurseur en ce domaine, avait jadis défini et analysé sous le nom de sens « physionomique ». Cf. A.J. Greimas et J. Courtés (éds.), Sémiotique. Dictionnaire raisonné de la théorie du langage, tome II, Paris, Hachette, 1986 (entrée « Physionomique »).

16  Cf. A.J. Greimas et J. Fontanille, Sémiotique des passions. Des états de choses aux états d’âme, Paris, Seuil, 1991.

17  A.J. Greimas, « Les objets de valeur » (1973), rééd. in Du sens II, Paris, Seuil, 1983. J. Fontanille et Cl. Zilberberg, « Valence », in id., Tension et signification, Sprimont, Mardaga, 1998.

18  Cf. par exemple A. Kharbouch, « Manipulation et contagion : le discours ambivalent du populisme politique », Actes Sémiotiques, 121, 2018.

19  Cf. en particulier L. Tatit, « A semiótica e Merleau-Ponty », in A.C. de Oliveira et E. Landowski (éds.), Do inteligível ao sensível, São Paulo, Educ, 1995 ; G. Marrone, Il dicibile e l’indicibile. Verso un’estetica semiolinguistica, Palermo, L’epos, 1995 ; I. Pezzini et F. Marsciani, « Premessa », avant-propos à la tra­duction italienne de Sémiotique des passions, Milan, Bompiani, 1996 ; M.P. Pozzato, « L’arc phénoméno­logique… », art. cit. ; G. Bucher, « De la perfection… », art. cit.

20  Cf. J.-P. Sartre, L’être et le néant, Paris, Gallimard, 1947, notamment p. 325.

21  Cf. M. Merleau-Ponty, Phénoménologie de la perception, Paris, Gallimard, 1945, passim ; id., La prose du monde, Paris, Gallimard, 1969, p. I.

22  Cf. E. Landowski, « Présence à soi, présence au monde », Présences de l’autre, Paris, P.U.F., 1997, pp. 89-94.

23  Cf. « Jonction versus Union », Passions sans nom, op. cit., pp. 57-69.

24  Cf. E. Landowski, « Shikata ga nai, ou Encore un pas pour devenir sémioticien ! », Lexia, 11-13, 2012.

25  L’éventail des travaux dont la problématique se fonde pour une part décisive sur ce livre est trop large pour qu’on puisse ici les citer. Ne retenons que deux exemples portant sur des pratiques d’ordres entièrement différents — la prière, le sport : J.-P. Petitimbert, « Les traductions liturgiques du “Notre Père” », Actes Sémiotiques, 119, 2016 ; P. Demuru, Essere in gioco, Bologne, Bononia University Press, 2014.

DOCUMENT III

Alain Perusset
Universités de Neuchâtel et de Bourgogne

Le plaisir de plaire.
Trajectoires modales ou stratégies morales ?

Texte intégral

1 :
 Jacques Fontanille, Pratiques sémiotiques, Paris, PUF, 2008, p. 28. Eric Landowski, « De la stratégie, entre programmation et (...)
2 :
 Cf. J. Fontanille, Formes de vie, Liège, Presses Universitaires de Liège, 2015.
3 :
 E. Landowski, « Formes de l’altérité et styles de vie », Rercherches Sémiotiques / Semiotic Inquiry, XIII, 1-2, 1993, (...)

Au début de Pratiques sémiotiques, Jacques Fontanille, lorsqu’il introduit le concept de stratégie, précise que deux références peuvent être convoquées pour approcher cette notion en sémiotique : « De la stratégie, entre programmation et ajustement » d’Eric Landowski et « Penser la stratégie dans le champ de la communication » d’Erik Bertin1. Bien qu’il ne dise nulle part que ces deux références constituent une bibliographie exhaustive des écrits sémiotiques traitant de la question, on est amené à reconnaître, avec cette maigre « liste », que de façon générale la sémiotique s’était apparemment peu intéressée aux stratégies, ce qui est étonnant pour une discipline qui se propose d’étudier la façon dont le sens se construit en situation. Mais les choses ont évolué. Il y a eu les thèses sur les « styles stratégiques » et les « formes de vie » développées par Fontanille, précisément dans Pratiques sémiotiques, puis les mêmes approfondies dans Formes de vie2. Enfin, surtout, c’est l’ensemble de l’œuvre de Landowski qui offre aujourd’hui une véritable base de réflexion pour penser la stratégie en termes sémiotiques, notamment sous le couvert de l’analyse des « styles de vie ». Depuis 1993 et son article « Formes de l’altérité et styles de vie » paru dans la revue Recherches Sémiotiques3, Landowski n’a en effet eu de cesse de construire une théorie sociale des attitudes qu’adoptent les acteurs sociaux dans leur milieu, et en particulier de leur composante stratégique. C’est dans la continuité de ces réflexions socio-sémiotiques que nous souhaitons inscrire notre travail.

4 :
 E. Landowski, « Plaidoyer pour l’impertinence », Actes Sémiotiques, 116, 2013 et Pour une sémiotique du goût, São Paulo, Centro (...)

Notre but est de montrer que les attitudes communément qualifiées de stratégiques peuvent très bien être considérées comme dépourvues de tout caractère proprement « stratégique », du moins si on entend par stratégie un ensemble de choix pratiques spécifiquement adoptés en vue d’obtenir un résultat. Pour défendre cette idée, nous commencerons par montrer que nos attitudes pratiques sont avant tout le produit de contingences qui nous amènent, sans le choisir, à être, selon la série des possibilités distinguées par Landowski, socialement — et du même coup, ajouterons-nous, moralement — « déférents », « insolents », « complaisants » ou « impertinents »4. Dans notre seconde partie, c’est l’immixtion inévitable de cette dimension morale qui sera questionnée afin de montrer que deux perspectives antagonistes peuvent être retenues pour évaluer les attitudes pratiques : ou bien une perspective éthique compréhensive, ou bien une perspective morale intransigeante. Plus généralement, notre objectif est d’enrichir les discussions actuelles portant sur les « formes de vie », ce que nous préciserons en conclusion.

1. Les trajectoires modales

1.1. Entre affirmation et résistance

Une chose qui n’a peut-être pas été suffisamment soulignée à propos des stratégies, c’est qu’elles sont fondamentalement des dépendances : on adopte toujours une stratégie lorsqu’on rencontre un obstacle. La stratégie naît avec les obstacles, et la lutte pour surmonter ces obstacles est ce qui caractérise la vie. Tout comme l’engagement, la stratégie est une propriété inhérente à la vie. Ce n’est d’ailleurs pas un hasard si on parle, en biologie, pour les espèces vivantes, de stratégies de survie. Pour autant, dans cet emploi, le concept de stratégie n’équivaut pas à celui de calcul réfléchi ; il se rapproche plutôt de celui de mode opératoire, étant entendu qu’une espèce vivante adopte toujours une façon de faire, une « stratégie », pour persévérer dans son être et ainsi persister dans le monde.

En première approche, la stratégie n’est donc pas quelque chose qui relève de la morale ; elle est d’abord un geste d’adaptation nécessaire de la vie à son environnement. Dans ce processus de construction d’une trajectoire — d’un sens —, la vie est par suite toujours conduite à prendre position : ou bien se conformer au parcours que l’environnement lui propose, en contournant — sans gloire — les obstacles qui se dressent sur son chemin par des voies naturelles toutes tracées ou déjà normées, ou bien innover en s’opposant frontalement à ces obstacles et en les vainquant — de façon plus ou moins spectaculaire.

5 :
 A. Perusset, « Les formes de vie sont-elles vivantes ? », in Alessandro Zinna et Ivan Darrault-Harris (éds.), Formes de vie et (...)

En rapportant le propos à des considérations plus anthropologiques, on pourra dire que la stratégie (comme potestas ou puissance d’agir) existe, au niveau individuel ou communautaire, parce qu’au niveau social ou global un pouvoir (comme potentia) impose une certaine discipline aux corps et aux esprits. Pour ne pas renier ses inclinations naturelles — ce qu’elle ne pourrait d’ailleurs faire —, la vie (ou « forme de vie ») est ainsi contrainte de trouver des manières de demeurer ce qu’elle est dans ce lieu réglé qu’est l’espace social. Or si les sujets humains peuvent ainsi construire leur parcours de vie, c’est, comme nous le disions dans un précédent écrit, parce qu’ils sont dotés d’une conscience qui leur offre un horizon d’intentionnalités infini, et c’est cela qui rend du même coup difficilement concevable qu’un pouvoir quelconque puisse gouverner sans offrir, même contre son gré, une certaine marge de manœuvre (bien que parfois cette latitude soit réduite à une peau de chagrin)5.

6 :
 C’est un tel monde que décrit par exemple Landowski dans Les interactions risquées : « La programmation préside en premier lieu (...)
7 :
 Comme il est d’usage de le préciser, le terme manipulation en sémiotique ne véhicule pas de connotations négatives. Il sert (...)
8 :
 Michel Foucault, « Le sujet et le pouvoir » (1982), Dits et écrits, Paris, Seuil, 2001, p. 1061.

Malgré tout, pouvons-nous préciser, imaginer un tel pouvoir, capable de programmer ses sujets, est chose possible, et la science-fiction exploite ce motif régulièrement lorsqu’elle met en scène des mondes régis par des organisations sociales de type technocratique, autogérées par un système autonome sur lequel les dirigeants eux-mêmes n’ont plus aucun pouvoir6. Ainsi, loin de ce pouvoir mécaniste aliénant, le pouvoir auquel nous faisons référence, et auquel nous sommes « soumis », est bien plutôt dans une relation de manipulation réciproque7. Comme l’observait déjà Michel Foucault : « il n’y a pas de relation de pouvoir sans résistance, sans échappatoire ou fuite, sans retournement éventuel ; toute relation de pouvoir implique donc, au moins de façon virtuelle, une stratégie de lutte »8.

9 :
 Yves Citton, Mythocratie, Paris, Éditions Amsterdam, 2010, p. 55. Pour une élaboration sémiotique du concept de « prise », cf. E. (...)
10 :
 Laurent Bove, La stratégie du conatus. Affirmation et résistance chez Spinoza, Paris, Vrin,1996, p. 14.

C’est aussi ce régime d’interaction qu’approfondit le penseur suisse Yves Citton lorsqu’il écrit que les « relations de pouvoir et [les] rapports stratégiques sont indissociables dans la mesure où la conduite des conduites est toujours vécue dans le cadre de gestes d’affirmation et de résistance, par lesquels “on essaie d’avoir prise sur l’autre” ou au contraire d’échapper à son emprise »9. Également empreint des thèses de Foucault, Citton en vient à conclure que ce que les sujets sociaux (mais aussi le pouvoir) manifestent constamment dans l’espace social, c’est une persévérance dans l’être, le conatus de Spinoza. Citton voit en effet dans la nature stratégique des rapports de pouvoir l’expression d’un conatus que le philosophe français Laurent Bove définit de son côté tantôt comme une « puissance singulière d’affirmation et de résistance » tantôt comme une « pratique stratégique de décision des problèmes et de leur résolution »10. Cette nécessaire et constante exigence de s’affirmer ou de résister nous donne finalement à voir que les individus, loin de suivre des parcours tout tracés, sont pris dans d’incessantes turbulences résultant d’intérêts, d’aléas et de déterminations qui peuvent les amener à changer ou à adapter leur stratégie — au sens de mode opératoire — en cours d’action ou de vie :

11 :
 Yves Citton, op. cit.,p. 57.

La captation de puissance dont se nourrit tout pouvoir est toujours à concevoir au sein de stratégies conflictuelles qui constituent simultanément l’affirmation de certaines formes de vie et la résistance qu’opposent ces formes de vie à ce qui les menace d’extinction.11

1.2. Une affaire de bienséance et d’adhésion

12 :
 Comme nous le relevions dans « Les formes de vie sont-elles vivantes ? » (art. cit., p. 322), il ne faut pas penser que l’espace (...)
13 :
 Pour une critique sémiotique de la notion d’opinion publique et une analyse du rôle actantiel auquel renvoie son usage constant dans (...)
14 :
 Ces questions ne sont pas spécifiques à l’opinion publique. Elles valent pour toutes les formes possibles d’autorités morales.

S’il s’agit de mettre à jour différentes manières de faire, manifestant différentes formes de vie, alors, fort de ce que nous venons de dire, il faudra plus particulièrement identifier des manières de faire avec l’autorité du milieu — laquelle autorité serait non celle des élites ou du pouvoir politique12, mais celle de ce qu’on appelle ordinairement du terme assez vague d’« opinion publique », instance peu coercitive certes, mais terriblement normative et moralisante13. Or, sur quoi fondamentalement le pouvoir de l’opinion publique s’exerce-t-il14 ? Quels critères l’opinion publique retient-elle pour juger de la conformité des pratiques et des stratégies qui les sous-tendent ? Et de la même façon, selon l’optique inverse, que manifeste un individu qui se conforme à la bienséance ou qui innove et, ce faisant, inflige un certain camouflet à cette bienséance ? La réponse tient en une phrase : ce qu’exprime une stratégie, c’est d’abord un savoir-vivre, et c’est ce savoir-vivre, manifesté à travers un savoir-faire, que juge en premier lieu le destinataire moral (ou destinateur judicateur) qu’est l’opinion publique. Fontanille pose le même constat, en montrant toute la variété énonciative de ces savoir-faire :

15 :
 J. Fontanille, Formes de vie, op. cit., p. 65.

L’essentiel de la moralité sociale repose sur des jugements de « savoir faire » et de « pouvoir faire » (et de leurs différentes variétés contraires et contradictoires). On peut invoquer à titre d’exemple les épreuves d’initiation, ces épreuves qualifiantes que les sociétés africaines et indiennes font subir à leurs adolescents, et qui fonctionnent comme des tests de savoir-faire, indépendamment du contenu propre des épreuves subies. De même, les codes du savoir-vivre ressemblent, à bien des égards, au code du « bien dire » et du « bien écrire » des grammaires normatives. Le bon usage, en effet, se présente comme une surdétermination normative (sélective et moralisante) des savoir-faire, qu’ils soient linguistiques ou comportementaux ; la faute peut alors être aussi bien une faute de grammaire qu’une faute de goût ou une gaffe. Dès lors, la moralité sociale reposerait sur une compétence syntagmatique, c’est-à-dire un savoir-faire, mais qui dans ce cas, serait figée en norme sémiotique.15

16 :
 Nous avons proposé dans notre thèse de doctorat le concept d’« Autorité transcendantale » pour qualifier les grandes instances (...)

Sur le fond de cette moralité sociale encadrée par l’opinion publique peuvent alors déjà émerger deux sortes de stratégies (ou modes opératoires) : celles qui conduisent l’opérateur à réaliser des pratiques conformes aux règles de la bienséance (donc manifestant un savoir-vivre) et celles qui le conduisent à les transgresser (exprimant un défaut de savoir-vivre). Dans ce cadre-là, il faut bien comprendre que les savoir-faire et savoir-vivre que nous discutons renvoient toujours aux savoir-faire et savoir-vivre tels que conçus et construits par la bienséance. Il est important de le préciser, car la reconnaissance d’un savoir-faire ne dépend pas tant de ce que fait l’opérateur que du regard que pose l’autorité morale sur la pratique. Aussi, lorsque la bienséance juge qu’un opérateur manque de savoir-vivre, il nous faut plus finement comprendre que l’opérateur s’accorde en fait bien plutôt avec une autorité éthique distincte de celle de l’univers de référence. Selon cette hypothèse, les individus considérés par la bienséance comme déviants le seraient uniquement du fait qu’ils se conforment à des règles posées par d’autres « Autorités transcendantales » que la morale sociale (à savoir le Milieu), qu’elles soient de l’ordre du sentiment intime (le Feeling) ou d’une éthique personnelle (renvoyant à la Raison)16. C’est à de telles instances que Fontanille semble se référer lorsqu’il emploie le syntagme « figures typiques » :

17 :
 J. Fontanille, op. cit., p. 66.

Si on met entre parenthèses maintenant ce complexe fonctionnement cognitif et persuasif du jugement moral […], on s’aperçoit aisément que la morale ne relève pas obligatoirement d’un Destinateur transcendant [ici l’opinion publique], mais qu’elle peut aussi être spontanément mise en œuvre en saisissant quelques figures typiques ou quelques éléments sensibles qui mobilisent des valeurs et des croyances.17

18 :
 Tel l’« Ours », chez Landowski, par opposition au « Dandy ». Cf. Présences de l’autre, op. cit., pp. 53-55, 71-72.

En abordant la problématique des croyances, Fontanille touche en outre le second aspect des stratégies, qui concerne le méta-savoir, en l’occurrence la connaissance que l’on a de son propre savoir-vivre. Rapportée à la question morale, l’idée est ici de se demander, lorsqu’un individu réalise une pratique, s’il sait qu’il respecte ou non un savoir-faire ou s’il sait qu’il fait preuve ou non de savoir-vivre. Évidemment, le jugement moral variera grandement selon qu’on estimera que son action a été menée en connaissance de cause ou dans l’ignorance. C’est ainsi qu’en matière de mauvais goût, on aura tendance à être plus indulgent envers les individus qu’on ne soupçonnera aucunement de vouloir braver la bienséance18. En résumé, c’est bien ici l’opposition entre une distance critique et une adhésion aveugle vis-à-vis de l’action menée qui est questionnée.

19 :
 Sur la question de l’adhésion, ou peut-être plus justement de l’adhérence entre l’opérateur pratique et son acte, nous (...)

Pour autant, on reconnaîtra que, dans l’absolu, tous les individus adhèrent aussi toujours à ce qu’ils font, puisqu’ils le font19. La distinction à opérer à propos de la problématique de l’adhésion devra donc à nouveau être rapportée à des considérations morales. Plus exactement, lorsque l’opinion publique reconnaît qu’un opérateur adhère à sa pratique, elle ne fait rien d’autre qu’admettre qu’il ne suit aucune stratégie, au sens commun du terme cette fois-ci, à savoir qu’il n’agit ni par calcul ni pour autre chose que la réussite de l’objectif pratique. À l’inverse, lorsque l’opinion estime que l’opérateur n’adhère pas à ce qu’il fait, c’est parce qu’elle considère que derrière l’accomplissement de la pratique se cache un intérêt autre que la simple réussite de l’objectif pratique, lequel intérêt serait ni plus ni moins que la nécessité d’honorer une Autorité transcendantale autre que le Milieu.

1.3. Au bon vouloir de l’Autorité transcendantale

Le propos que nous développons ici, bien qu’empruntant certains détours, rejoint finalement les propositions formulées par Landowski autour de l’idée qu’une action procèderait toujours d’une forme de « goût » : soit du « goût de jouir » (ou « goût des plaisirs »), soit du « goût de plaire » :

20 :
 E. Landowski, « Le goût des gens, le goût des choses », Passions sans nom, Paris, PUF, 2004, chap. 12, p. 250.

[On] présuppose l’existence de deux formes possibles du « bonheur » répondant à deux tendances corrélatives du « goût », aussi puissantes a priori l’un que l’autre et qui, selon les cas, pourront se combattre ou se combiner, déterminant autant de styles de vie distincts : d’un côté le goût de jouir — de jouir du monde, des choses, des gens —, et de l’autre, le goût de plaire — de plaire à l’autre, aux autres, d’être admis, reconnu, aimé, d’agréer à la « société », ou plus généralement à quelque instance d’ordre transcendant que le sujet aura reconnu ou se sera donné comme juge de ses actions ou de sa manière d’être.20

21 :
 Ibid., p. 264.

Dans le cadre de cette sémiotique du goût, Landowski considère plus généralement que le sujet « se choisit à travers la manière dont jour après jour il se réalise », tantôt en se plaçant dans la position d’un « Apollon-que-les-autres-regarderaient et qui plairait à tous », tantôt dans celle d’un « Dionysos-contemplant-le-monde, et disposé à en jouir »21. Cependant, comme précisé dans l’extrait ci-dessous, auquel nous faisons actuellement référence, si « choix » il y a, c’est d’abord à la manière de choix qui se font pour ainsi dire d’eux-mêmes, sans que le sujet n’ait jamais à les prendre délibérément :

22 :
 Ibid., pp. 264-265 ; nous soulignons.

Compte tenu de la diversité des domaines d’activité et des circonstances, chacun tend à se sentir plus à l’aise tantôt, à l’intérieur de tels types de contextes, dans la position — au moins imaginaire — d’un Apollon-que-les-autres-regarderaient et qui plairait à tous (pour sa perfection supposée), tantôt, ailleurs ou dans d’autres circonstances, dans l’attitude d’un Dionysos-contemplant-le-monde, et disposé à en jouir (en dépit de ses imperfections). Ainsi, sans prendre aucune résolution formelle, chacun finit, sur le plan des pratiques concrètes, par privilégier de fait l’une ou l’autre de ces deux possibilités. C’est en ce sens très nuancé qu’on peut dire que le sujet « choisit », et d’abord qu’il se choisit à travers la manière dont jour après jour il se réalise. Si choix, ou plus exactement méta-choix il y a, on voit par conséquent qu’il s’agit là d’options qui se prennent, pour ainsi dire d’elles-mêmes, bien davantage qu’elles ne sont délibérément prises par les sujets. Et pour cette raison même, les choix de ce type ne se constatent qu’a posteriori : ils permettent après coup de comprendre des comportements ou des attitudes, davantage qu’ils ne les déterminent à l’avance.22

23 :
 Fontanille glose cette notion de Bien suprême lorsqu’il essaie de formaliser « le plan du contenu de l’éthique ». Cf. Pratiques (...)

En lien avec notre hypothèse, nous dirons donc que si les choix de ce type s’imposent, c’est parce qu’une Autorité transcendantale (à travers diverses dispositions) serait à l’œuvre derrière chaque action. En d’autres termes, toute décision pratique serait imposée par une Autorité transcendantale (le Milieu, le Feeling ou la Raison), et c’est à notre avis pour cela que Landowski est amené à parler, dans le passage cité précédemment, de « deux formes possibles du “bonheur” ». C’est qu’en effet les Autorités transcendantales ne seraient rien d’autre que des figurativisations de « Biens suprêmes », formule aristotélicienne définissant un bonheur pratique23. Surtout, ce qui est intéressant pour nous dans la citation que nous commentons, c’est qu’en rapport au goût de plaire, Landowski envisage la possibilité que cette forme du goût puisse être choisie pour agréer à autrui, « ou plus généralement à quelque instance d’ordre transcendant » (cf. supra ; nous soulignons).

Probablement sans le chercher, Landowski particularise donc une forme de plaire qui, par rapport à la question du méta-choix, est en fait une volonté de plaire absolue, qui se situe en amont de tout choix rationnel. En effet, quoi qu’on fasse, du moment où on est engagé dans une pratique, on plaira toujours à telle Autorité transcendantale ou à telle autre (au Milieu, à un Feeling, à notre Raison…). Et surtout, observation complémentaire tout aussi importante, si on accomplit la volonté d’une Autorité transcendantale qui incarne une forme de bonheur vers laquelle on tend naturellement, alors, nécessairement, en agissant on se fera aussi toujours plaisir. En posant cette seconde hypothèse, ce qu’on accepte finalement de dire, c’est qu’agir, à un niveau méta-pragmatique, c’est fondamentalement plaire en se faisant plaisir, puisqu’honorer une Autorité transcendantale est toujours un bonheur. Bref, si agir, c’est à la fois plaire et se faire plaisir, on devra ensuite plus particulièrement envisager ces deux formes de goûts en termes non pas d’alternative, mais d’équilibre, lequel équilibre qualifiera d’abord la relation entre l’opérateur et l’Autorité transcendantale (l’opinion publique n’intervenant que dans un second temps).

1.4. Un subtil mélange modal

Dans le détail, si on parle d’équilibre dans la relation entre l’opérateur pratique et l’Autorité transcendantale, c’est parce que l’emphase sur le plaire (faire plaisir) ou le jouir (avoir du plaisir) dépendra en fait du niveau de conscience de l’opérateur. C’est en effet, selon nous, le niveau de conscience de l’opérateur qui détermine s’il s’inscrit dans l’une ou dans l’autre dynamique. Si l’opérateur est conscient qu’il agit pour le compte d’une Autorité transcendantale, alors on dira qu’il est dans une dynamique du plaire ; et à l’inverse, s’il n’est pas conscient qu’il agit pour le compte d’une Autorité transcendantale, alors on dira qu’il est dans une dynamique du jouir. Pour nous, c’est en effet, avant tout, la conscience de cette dépendance vis-à-vis de l’Autorité transcendantale qui détermine la prédominance d’un goût par rapport à l’autre au niveau méta-cognitif.

Précisément, ce premier rapport caractériserait la modalité épistémique du croire qu’on pourra considérer comme présente ou absente chez l’opérateur. Si elle est présente, alors on reconnaîtra à l’opérateur une croyance, à savoir la croyance que ce qu’il fait va de soi et que son action n’est dictée par aucune Autorité transcendantale. À l’inverse, si cette croyance est absente, on reconnaîtra que l’opérateur est doté d’une connaissance, la connaissance que ce qu’il fait est fait pour le compte d’une Autorité transcendantale à laquelle il ne peut que se soumettre. Dans le cas de la croyance, on parlera d’un niveau de conscience faible (donc d’une absence de calcul), et bien sûr, dans le cas de la connaissance, d’un niveau de conscience élevé (qui supposera un calcul).En définitive, et en première approche, le rapport entre goût de plaire et goût des plaisirs serait bien une affaire « privée » entre l’opérateur pratique et l’Autorité transcendantale qui guide son action.

Mais maintenant, rappelons-nous que l’évaluation morale d’un individu ou d’une pratique s’ancre toujours dans un milieu normé. Aussi, un second rapport entre goût de plaire et goût des plaisirs devra être pris en compte, celui concernant la problématique du savoir-vivre précédemment discutée. En effet, c’est une chose que d’agir en étant (ou non) conscient d’honorer la volonté d’une Autorité transcendantale, c’en est une autre que d’avoir la chance que son action respecte la bienséance sociale.

Pour nous, effectivement, plus qu’une affaire de volonté, la question du savoir-faire et du savoir-vivre est d’abord une affaire de contingences. Dans la mesure où méta-structurellement, comme nous en avons fait l’hypothèse, nous ne décidons pas de nos actions, orientées qu’elles sont par les Autorités transcendantales, on ne peut alors que reconnaître que leur adéquation avec les attentes sociales ressort de la plus pure des contingences. Ainsi, faire preuve de savoir-vivre ne serait pas tant une affaire de choix que de chance, tantôt bonne comme lorsque le savoir-faire de l’opérateur répond aux attentes sociales, tantôt mauvaise comme lorsque ce savoir-faire est jugé non conforme à la bienséance.

24 :
 E. Landowski, Pour une sémiotique du goût, São Paulo, Centro de Pesquisas Sociossemióticas, 2013, p. 44.

Lorsqu’il construit son « zoo interactionnel », Landowski prend d’ailleurs ce paramètre en compte, ce qui le conduit à ranger du côté de ce que nous appellerons les petits chanceux « les quadrupèdes épanouis » que sont « Le Chien placide (modèle de l’homme du monde) » et « Le Chat rêveur (modèle de l’homme de génie) », et du côté de ceux que nous nommerons les pauvres malheureux « les quadrupèdes résignés (qui s’accommodent à la contingence) », à savoir « Le Caméléon simulateur (précurseur de l’homme de cour) » et « L’Ours glouton (précurseur de l’homme des bois) »24. Dans le passage suivant, Landowski décrit d’ailleurs la triste condition de ces derniers qui, s’ils le pouvaient, changeraient volontiers le monde pour pouvoir être simplement ce qu’ils sont, sans subir l’opprobre :

25 :
 Ibid., pp. 45-46.

Quid, d’abord du Caméléon, près de son marécage ? S’il ne se trouvait pas, par malchance, entouré de terribles crocodiles auxquels il lui faut s’efforcer de plaire sous peine d’être impitoyablement éliminé, il n’en serait pas réduit à faire servilement mine d’adhérer à leurs valeurs. Quant à l’Ours, il suffirait qu’il ait des voisins un peu moins intolérants pour qu’il n’ait plus à pâtir de la réputation épouvantable qu’ils lui font et pour qu’il puisse s’adonner mieux qu’à la sauvette à ces plaisirs qui sont les siens […]. C’est dire que si le monde était mieux fait, et on voit qu’en l’occurrence cela ne tiendrait qu’à peu de choses étant donné qu’un entourage mieux intentionné serait parfaitement concevable et possible, ils pourraient alors l’un et l’autre, au bord de l’eau ou dans la forêt, vivre à leur guise et selon leurs goûts. Or, c’est pour des raisons tout à fait analogues, donc non moins contingentes, qu’il nous faut nous aussi nous résigner soit à jouer les courtisans, les « hommes de cour », les caméléons pour vivre socialement à peu près en paix, soit à passer pour des sauvages, des « hommes des bois », des ours pour peu que nous nous laissions aller à être nous-mêmes.25

De la même façon que nous l’avons fait pour la modalité du croire, nous pourrions, à partir de la modalité du savoir, établir deux grands types de sorts modaux : ou bien une chance dans le cas où l’action déterminée par l’Autorité transcendantale entrerait en conformité avec les attentes sociales (présence d’un savoir-vivre) ou bien une malchance dans le cas où cette action serait jugée déviante par rapport à la bienséance (absence d’un savoir-vivre).

L’articulation entre les modalités épistémiques du savoir et du croire peut finalement être schématisée comme suit pour donner forme à ce que nous conviendrons d’appeler des trajectoires modales.

Fig. 1. Les trajectoires modales

2. Les stratégies morales

2.1. Des stratégies et des hommes

Les trajectoires modales que nous venons de distinguer peuvent en fait être lues dans deux sens. Soit dans le sens génératif que nous venons d’exposer, soit dans le cadre d’une démarche interprétative, auquel cas ces parcours se transformeront en stratégies délibérées dans la mesure où ils seront jugés par une autorité morale comme assumés par l’opérateur pratique. Souligner cela est d’une grande importance, car, pour la morale sociale, le responsable de toute action est toujours l’opérateur et jamais l’Autorité transcendantale qui peut représenter tout au plus une figure servant d’alibi pour ne pas rendre de comptes.

L’asymétrie entre l’hypothèse générative développée dans la partie précédente et l’hypothèse interprétative que nous abordons maintenant est donc véritablement remarquable, puisque ces deux perspectives s’opposent radicalement. Typiquement, du point de vue génératif (d’ordre éthique), nous ne sommes jamais vraiment responsables de nos actes, puisque nous sommes soumis à diverses contingences : à la volonté d’une Autorité transcendantale (au niveau de l’engagement, du devoir et du vouloir), au degré d’éveil de notre conscience (au niveau du croire), enfin à la normativité des usages sociaux (au niveau du savoir). À l’inverse, du point de vue interprétatif (d’ordre moral), nous sommes toujours responsables de nos faits et gestes — et heureusement d’ailleurs, car si la société acceptait qu’on puisse toujours se dédouaner il ne serait possible de rendre aucune justice et tous les écarts menaçant la paix sociale seraient permis.

Aussi, du moment où la morale nous rend responsables de nos actes, l’opinion qui l’incarne au niveau social va évidemment être conduite à questionner les motifs de nos faits et gestes, étant admis qu’on suppose les êtres humains dotés d’une capacité de contrôle et qu’on doit par suite partir du principe que toute action peut aussi ne pas être accomplie. C’est en effet cet argument que retient la morale pour postuler qu’en deçà de chaque acte est supposée se cacher une stratégie. Et c’est aussi à partir de cette observation qu’on peut convertir les trajectoires modales précédemment identifiées en stratégies morales.

En ce qui concerne la première trajectoire modale (absence de croire et présence d’un savoir), l’opinion publique pourra d’abord voir une stratégie du type accommodation. Plus précisément, cette stratégie caractériserait un opérateur qu’on estimerait faire consciemment les choses « comme il faut ». En nous référant à l’œuvre de Landowski, on verrait qu’une large palette de figures adopte cette stratégie : aussi bien les Caméléons simulateurs (et manipulateurs) que les personnes scrupuleusement soucieuses de paraître « de bon ton » ou « dans le ton », tels les snobs ou les hommes de cour.

Pour la deuxième trajectoire (absence de croire et absence de savoir), on reconnaîtra une stratégie du type abnégation. L’abnégation permet ici de qualifier une stratégie adoptée par un opérateur qui non seulement ne ferait rien « comme il faut », mais qui surtout serait conscient d’agir de la sorte ; en somme, une personne suffisamment opiniâtre pour persévérer à faire ce qui est moralement (du moins, ici encore, selon la bienséance) condamnable, à l’instar du Chat rêveur, de l’homme de génie ou du dandy.

La troisième trajectoire (présence d’un croire et présence d’un savoir) pourra ensuite être interprétée comme la réalisation d’une stratégie du type adhésion. Chez l’opérateur attestant d’un croire et d’un savoir, on reconnaîtra en fait deux choses : une justesse dans les actions, attestant d’un beau savoir-vivre, et surtout un naturel déroutant en ce sens que ses actions ne sembleront procéder d’aucun calcul ; bref, c’est une adhésion totale que montrerait l’opérateur dans ce cas de figure, à l’image du Chien placide landowskien, qui se plaît à obéir à son maître, et de l’homme du monde, qui « tout naturellement » valorise et renforce le lien social.

Enfin, à l’extrême opposé de ce type d’opérateurs en tout point idéal au regard de la bienséance, on trouvera l’individu que l’opinion publique estimera se comporter selon une stratégie du type abdication (présence d’un croire et absence de savoir). Une telle stratégie serait reconnue chez un opérateur qui semblerait intuitivement enclin à n’en faire qu’à sa tête, même si en l’occurrence on trouverait qu’il n’use pas vraiment de sa tête pour agir, car si c’était le cas il agirait, pense-t-on, différemment. L’Ours glouton, représente à merveille cet opérateur qui paraît rechigner à faire preuve de savoir-vivre en ne faisant que suivre ses instincts et qui, dès lors, pour la bienséance, semblera se complaire dans une sorte de facilité, dans un laisser-aller… bien loin des égards respectueux qu’on attendrait en pareille situation.

2.2. Vers une écologie stratégique générale

26 :
 Cf. E. Landowski, « Plaidoyer pour l’impertinence », Actes Sémiotiques, 116, 2013.

Le fait que nous en venions à parler de respect n’est pas anodin, car il apparaît que les critères qui organisent les stratégies que nous venons d’établir s’apparentent à ceux identifiés par Landowski — cette fois-ci dans « Plaidoyer pour l’impertinence » — lorsqu’il définit les grandes attitudes reconnaissables en termes de morale sociale dans toute pratique26. Dans cet article, ce qui est soutenu, c’est que pour sanctionner les attitudes pratiques, l’opinion (bien que l’auteur ne recoure pas, du moins explicitement, à cette notion) fonde son jugement sur deux critères : celui du « respect » et celui de la « vertu ». Et c’est en croisant ces critères qu’il parvient ensuite à mettre en évidence quatre attitudes morales formant système : la déférence, la complaisance, l’insolence et l’impertinence. Pour établir ces quatre attitudes, l’auteur traite d’abord la question du respect (et de l’irrespect) en ces termes :

27 :
 Ibid., pp. 2-3.

Partons donc d’une formule syntaxique élémentaire : /manifester du respect à l’égard de ce qu’on en juge digne/, qu’il s’agisse de personnes, d’institutions ou d’objets de quelque autre nature. Par convention métalinguistique, dénommons « déférence » la ligne de conduite, généralement tenue pour vertueuse, dont ladite formule énonce le principe. On peut à partir de là déduire la définition formelle de deux autres types d’attitudes qui, soit sur le plan des rapports sociaux, soit d’un point de vue éthique, présenteront un caractère plus problématique : /ne pas manifester de respect (ou, plus grave, manifester de l’irrespect) à l’égard de qui (ou de ce qui) est considéré comme en étant digne/ — c’est ce que nous conviendrons d’appeler « insolence » —, ou bien, au contraire, /manifester du respect à l’égard de ce qu’on pense ne pas le mériter/, ce à quoi nous donnerons le nom de « complaisance ». Reste, en termes combinatoires, une dernière possibilité : /ne pas manifester de respect devant ce qu’on estime ne pas le mériter/. C’est la formule que nous retiendrons comme définition syntaxique minimale de l’« impertinence ».27

Il s’intéresse ensuite à la vertu (et au vice), qu’il problématise de la façon suivante :

28 :
 Ibid, p. 3.

Selon cette perspective, si l’« insolence », en tant que refus d’une « déférence » attendue face à qui ou à quoi, par hypothèse, on devrait s’incliner, constitue la forme vicieuse de l’irrespect, inversement l’« impertinence », bien que beaucoup la considèrent comme un vilain défaut, en représente la forme vertueuse en tant que refus d’une « complaisance » moralement suspecte. Forme d’autant plus vertueuse qu’à la différence du geste de l’insolent, simple excentricité, acte de provocation gratuite, recherche d’une « originalité » et d’un « insolite » qui ne mènent à rien, l’attitude critique de l’impertinent offre une contrepartie positive. Transgression commise au nom d’une pertinence autre, il vise l’affirmation d’un sens nouveau. Autrement dit, l’opération qu’il effectue est une négation constructive, et à ce titre il prend typiquement la valeur d’un « beau geste ».28

Si nous n’avons rien à redire à la démonstration de Landowski, il nous semble toutefois que son modèle pourrait être moins radicalement polarisé, dans la mesure où les quatre stratégies en jeu, qui chacune peuvent caractériser une attitude comme nous allons le voir, ne requièrent pas des jugements si manichéens. Aussi, si nous souhaitons faire nôtres les propositions formulées ci-dessus, il nous faudrait remplacer le critère du respect par celui de la conformité sociale et celui de la vertu par celui de l’utilité sociale. En effet, le critère de la conformité nous permettrait d’envisager des attitudes non conformes comme novatrices, sans pour autant partir du principe qu’elles sont irrespectueuses ; quant à celui de l’utilité, il nous permettrait de considérer des attitudes ne participant pas de la dynamique culturelle comme gratuites ou non productives, sans nécessairement que l’on voie dans cette gratuité ou cette improductivité un quelconque vice.

29 :
 Cf. Youri Lotman, L’explosion et la culture, Limoges, Pulim, 2004.
30 :
 Que cette observation puisse ensuite être rapportée à des considérations biologiques, cela nous semble assez évident dans la mesure (...)

Cela étant dit, pour ce qui est de ce second critère, on pourra comprendre la décision de Landowski de retenir le critère de la vertu et du vice si on met en rapport ses réflexions avec celles conduites par Youri Lotman sur la culture29. Sans entrer dans les détails, on dira simplement que l’un des principes structurels de la culture est d’être dynamique et que tout acte qui participerait de ce dynamisme pourra au moins déjà à ce titre être valorisé positivement, et ce, sans qu’il soit besoin de savoir si cette participation va ou non à l’encontre de la bienséance30. Ainsi, si Landowski parle de vertu dans ce texte, c’est, à ce qu’il nous semble, parce que la bienséance voit dans la déférence, et aussi dans l’impertinence (telle qu’en l’occurrence définie) des attitudes en tout cas constructives. Et à l’inverse, si les attitudes complaisantes et insolentes sont envisagées comme vicieuses, c’est parce qu’elles sont culturellement stériles : les individus complaisants, par définition, suivent et ne créent rien, alors que les individus insolents dérangent et brouillent les pistes. Fort de ces dernières observations, on pourra dire que l’hypothèse de Landowski constitue une forme de conclusion poussée à l’extrême des dynamiques sociales (et des stratégies pratiques), lesquelles, en soi, peuvent donc toutes être valorisées positivement.

On l’aura compris, pour nous, il serait donc plus sage de construire un modèle moral articulé autour d’oppositions contradictoires (conforme vs non conforme ; constructif ou utile vs non constructif ou inutile) plutôt que d’oppositions contraires (respectueux vs irrespectueux ; vertueux vs vicieux), ce qui donnerait finalement les associations suivantes qui, soit dit en passant, sont implicatives, mais non nécessaires : la déférence suppose une stratégie d’adhésion, la complaisance une stratégie d’accommodation, l’insolence une stratégie d’abdication, enfin l’impertinence une stratégie d’abnégation.

Le carré sémiotique ci-dessous reprend ces associations en actualisant les observations de Landowski à partir de nos diverses remarques. Également, dans ce carré, nous nous sommes permis de caractériser les dynamiques culturelles auxquelles sont supposées participer les stratégies pratiques, à savoir la continuation pour la stratégie d’adhésion, la stagnation pour la stratégie d’accommodation, l’interruption pour la stratégie d’abdication et la déviation pour la stratégie d’abnégation.

Fig. 2. Les stratégies morales

31 :
 Op. cit., pp. 267-268.

Enfin, pour terminer, ajoutons que nos réflexions permettent aussi d’enrichir les propositions élaborées par Fontanille en matière de « projection pratique ». À la fin de Pratiques sémiotiques31, Fontanille identifie en effet quatre types d’opérateurs qu’il présente comme suit :

32 :
 On notera que Fontanille omet de mentionner, dans sa présentation, l’opérateur « inconséquent » qui se trouve pourtant bel et (...)

L’opérateur « buté » [aussi appelé « focalisé »] est entièrement investi dans son objectif au détriment de l’horizon stratégique ; à l’inverse, il est considéré comme « machiavélique » s’il se détache de l’objectif assigné à son acte pour ne prendre en considération que les conséquences stratégiques. Il est « compromis » si, dans ce dernier cas, il maintient néanmoins un lien fort avec son objectif, en ce sens que, dans ce cas, l’investissement dans l’objectif est considéré comme prédéterminé par l’intérêt qui le lie à l’horizon stratégique.32

33 :
 A ces types d’opérateurs interdéfinis sur la base du méta-savoir correspondent, mutatis mutandis, les figures que Landowski (...)

En reprenant notre argumentaire, nous pourrions alors établir les associations suivantes entre nos stratégies et les opérateurs ici définis : l’adhésion qualifierait la stratégie adoptée par l’opérateur compromis (qui fait inconsciemment ce qu’il faut faire), l’accommodation la stratégie de l’opérateur machiavélique (qui fait sciemment ce qu’il faut faire), l’abdication celle de l’opérateur focalisé (qui fait ce qu’il ne faut pas faire sans s’en rendre compte), enfin l’abnégation la stratégie de l’opérateur inconséquent (qui ne fait pas ce qu’il faut faire en connaissance de cause)33.

Ci-dessous, nous avons reproduit le schéma tensif construit par Fontanille pour organiser ses opérateurs et l’avons agrémenté des principaux apports théoriques résultant du présent travail.

Fig. 3. L’écologie stratégique

3. Conclusion

Dans ce travail, nous avons décrit deux perspectives inconciliables en matière d’attitude pratique. La perspective éthique d’abord, qui valorise les pratiques quelles qu’elles soient, en leur reconnaissant une positivité. La perspective morale ensuite, qui juge et polarise axiologiquement ces pratiques sur la base d’une négativité. L’intéressant dans la mise en dialogue de ces deux perspectives réside surtout dans le fait que la notion de stratégie, au sens de calcul, procède avant tout d’une perspective morale. En effet, selon cette perspective, les individus sont redevables de leurs actes et la reconnaissance d’une stratégie permet justement d’expliquer ces comportements avant de porter un jugement.

34 :
 Cf. Pratiques sémiotiques, op. cit., p. 34.

Reste une difficulté qui tient à ce que, même lorsqu’on moralise une pratique, il peut être difficile d’identifier une quelconque stratégie dans certaines attitudes : c’est le cas lorsqu’on suppose à des attitudes des stratégies du type adhésion ou abdication. Pour cette raison, nous serions enclin à dire que pour que nos observations et nos hypothèses demeurent adéquates, il faudrait que dans les études sémiotiques on se mette d’accord pour stabiliser une acception du concept de stratégie qui fasse consensus. À cet égard, il nous paraîtrait judicieux d’écarter définitivement l’acception commune du terme, associée au calcul, pour préférer celle plus neutre de mode opératoire rapidement problématisée au début de ce travail. En procédant de la sorte, on parviendrait à faire ce que Greimas a réussi à faire avec le concept de manipulation qui ne se rapporte, en sémiotique, qu’à un faire faire, sans considération morale. Il nous semble que c’est en retenant cette dernière acception qu’on pourra aussi mieux comprendre, dans la conceptualisation proposée par Jacques Fontanille, le « plan d’immanence » des stratégies34 qui, selon nous, renvoie ni plus ni moins à un mode opératoire perceptible à travers ce que l’auteur a lui-même plus tard appelé un « schème syntagmatique ».

Références bibliographiques haut de la page

Bertin, Erik, « Penser la stratégie dans le champ de la communication. Une approche sémiotique », Actes sémiotiques, 89-91, 2003.

Bove, Laurent, La stratégie du conatus. Affirmation et résistance chez Spinoza, Paris, Vrin, 1996.

Citton, Yves, Mythocratie, Paris, Éditions Amsterdam, 2010.

Fontanille, Jacques, Pratiques sémiotiques, Paris, PUF, 2008.
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Landowski, Eric, La société réfléchie, Paris, Seuil, 1989.
— « Formes de l’altérité et styles de vie », Rercherches Sémiotiques / Semiotic Inquiry, XIII, 1-2, 1993.
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— « De la stratégie, entre programmation et ajustement », Nouveaux Actes Sémiotiques, 89-91, 2003.
Passions sans nom, Paris, PUF, 2004.
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— « Avoir prise, donner prise », Actes sémiotiques, 112, 2009.
Pour une sémiotique du goût, São Paulo, Centro de Pesquisas Sociossemióticas, 2013.
— « Plaidoyer pour l’impertinence », Actes sémiotiques, 116, 2013.

Lotman, Youri, L’explosion et la culture, Limoges, Pulim, 2004.

Perusset, Alain, « Les formes de vie sont-elles vivantes ? Vies et fortunes des langages dans la sémiosphère », in Alessandro Zinna et Ivan Darrault-Harris (éds.), Formes de vie et modes d’existence, Toulouse, CAMS/O, 2017.

Notes - document 3 haut de la page

1  Jacques Fontanille, Pratiques sémiotiques, Paris, PUF, 2008, p. 28. Eric Landowski, « De la stratégie, entre programmation et ajustement », Actes sémiotiques, 89-91, 2003. Erik Bertin, « Penser la stratégie dans le champ de la communication. Une approche sémiotique », ibid.

2  Cf. J. Fontanille, Formes de vie, Liège, Presses Universitaires de Liège, 2015.

3  E. Landowski, « Formes de l’altérité et styles de vie », Rercherches Sémiotiques / Semiotic Inquiry, XIII, 1-2, 1993, pp. 69-93 (rééd. remaniée in id., Présences de l’autre, Paris, PUF, 1997, chap. 2).

4  E. Landowski, « Plaidoyer pour l’impertinence », Actes Sémiotiques, 116, 2013 et Pour une sémiotique du goût, São Paulo, Centro de Pesquisas Sociossemióticas, 2013.

5  A. Perusset, « Les formes de vie sont-elles vivantes ? », in Alessandro Zinna et Ivan Darrault-Harris (éds.), Formes de vie et modes d’existence, Toulouse, Éditions CAMS/O, 2017, p. 319.

6  C’est un tel monde que décrit par exemple Landowski dans Les interactions risquées : « La programmation préside en premier lieu aux activités de type technologique concernant nos rapports avec les choses. Mais elle peut aussi sous-tendre un mode d’organisation sociale et politique, de type technocratique, pour ce qui touche aux relations entre les personnes. Ces deux aspects pouvant fort bien aller de pair, mieux on réussit à les conjuguer, plus on se rapproche d’un régime sécuritaire parfait, sans accidents ni déviance d’aucune sorte. Leur alliance trouve son achèvement le plus complet sous la forme de sociétés totalitaires de type bureaucratique, sortes de machines humaines au service de la machine de production. Comme dans le film de Fritz Lang, Metropolis, les choses s’y conforment strictement à leur mode d’emploi et les gens s’y trouvent réduits à une seule et unique fonction : servir le Moloch, figure emblématique du complexe technologico-économique. Arrivé à son point de perfection, l’appareil ainsi conçu aliène si radicalement les hommes, les réduit si bien au statut d’exécutants programmés en fonction des besoins de la machine, que c’est elle, la machine, qui seule peut éventuellement inverser le processus en acquérant à son tour la compétence propre d’un sujet, celle-là même que les hommes ont perdue ». E. Landowski, Les interactions risquées, Limoges, Pulim, 2005, pp. 25-26.

7  Comme il est d’usage de le préciser, le terme manipulation en sémiotique ne véhicule pas de connotations négatives. Il sert simplement à décrire cette capacité des sujets à faire faire quelque choseà d’autres sujets, sur la base d’une variété de stratégies plus ou moins morales : la persuasion, la séduction, la prière, la menace, la promesse, etc. Sur les implications de ces diverses syntaxes manipulatoires, cf. « Les conditions de l’interaction stratégique », Les interactions risquées, op. cit., pp. 20-23.

8  Michel Foucault, « Le sujet et le pouvoir » (1982), Dits et écrits, Paris, Seuil, 2001, p. 1061.

9  Yves Citton, Mythocratie, Paris, Éditions Amsterdam, 2010, p. 55. Pour une élaboration sémiotique du concept de « prise », cf. E. Landowski, « Avoir prise, donner prise », Nouveaux Actes Sémiotiques, 112, 2009.

10  Laurent Bove, La stratégie du conatus. Affirmation et résistance chez Spinoza, Paris, Vrin,1996, p. 14.

11  Yves Citton, op. cit.,p. 57.

12  Comme nous le relevions dans « Les formes de vie sont-elles vivantes ? » (art. cit., p. 322), il ne faut pas penser que l’espace social est « nécessairement dépendant ou sous le joug d’un super-centre politique, dans la mesure où l’on rattache traditionnellement la gouvernance d’un espace social à un pouvoir politique. À vrai dire, le pouvoir politique, avec ses ministères censés gérer l’ensemble des affaires sociales, peut être passablement affaibli par d’autres pouvoirs tels que l’économie par exemple. Dans les sociétés modernes, plutôt régies par des logiques émancipatrices, le libéralisme (avec ses variantes institutionnelles que sont le capitalisme et le mondialisme notamment) semble ainsi constituer le centre idéologique contre lequel, paradoxalement, les volontés individuelles et collectives peinent de plus en plus à lutter ».

13  Pour une critique sémiotique de la notion d’opinion publique et une analyse du rôle actantiel auquel renvoie son usage constant dans le discours social et politique, cf. E. Landowski « L’opinion publique et ses porte-parole », La société réfléchie, Paris, Seuil, 1989, pp. 21-56.

14  Ces questions ne sont pas spécifiques à l’opinion publique. Elles valent pour toutes les formes possibles d’autorités morales.

15  J. Fontanille, Formes de vie, op. cit., p. 65.

16  Nous avons proposé dans notre thèse de doctorat le concept d’« Autorité transcendantale » pour qualifier les grandes instances pouvant figurer un Bien suprême.

17  J. Fontanille, op. cit., p. 66.

18  Tel l’« Ours », chez Landowski, par opposition au « Dandy ». Cf. Présences de l’autre, op. cit., pp. 53-55, 71-72.

19  Sur la question de l’adhésion, ou peut-être plus justement de l’adhérence entre l’opérateur pratique et son acte, nous renvoyons aux pages 247 à 257 de Pratiques sémiotiques (op. cit.) où Fontanille oppose la « déshérence » à l’« inhérence », dispositions pratiques marquées par une tension, la première vers une « exhérence », la seconde vers, justement, une « adhérence ».

20  E. Landowski, « Le goût des gens, le goût des choses », Passions sans nom, Paris, PUF, 2004, chap. 12, p. 250.

21  Ibid., p. 264.

22  Ibid., pp. 264-265 ; nous soulignons.

23  Fontanille glose cette notion de Bien suprême lorsqu’il essaie de formaliser « le plan du contenu de l’éthique ». Cf. Pratiques sémiotiques, op. cit., pp. 269-275.

24  E. Landowski, Pour une sémiotique du goût, São Paulo, Centro de Pesquisas Sociossemióticas, 2013, p. 44.

25  Ibid., pp. 45-46.

26  Cf. E. Landowski, « Plaidoyer pour l’impertinence », Actes Sémiotiques, 116, 2013.

27  Ibid., pp. 2-3.

28  Ibid, p. 3.

29  Cf. Youri Lotman, L’explosion et la culture, Limoges, Pulim, 2004.

30  Que cette observation puisse ensuite être rapportée à des considérations biologiques, cela nous semble assez évident dans la mesure où la culture, comme la vie, doit toujours chercher à aller de l’avant pour persister, que ce soit de façon orthodoxe (conformiste) ou novatrice (non conformiste).

31  Op. cit., pp. 267-268.

32  On notera que Fontanille omet de mentionner, dans sa présentation, l’opérateur « inconséquent » qui se trouve pourtant bel et bien dans le schéma tensif illustrant son propos.

33  A ces types d’opérateurs interdéfinis sur la base du méta-savoir correspondent, mutatis mutandis, les figures que Landowski distingue dans Les Interactions risquées en termes de méta-vouloir : respectivement l’« actif pur » (opérateur « programmé » qui, sans le vouloir (ni le savoir), fait ce qu’il faut faire), le « cabotin du méta-vouloir » (qui fait sciemment ce qu’il faut faire, en sachant de plus, à chaque instant, que c’est exactement cela qu’il veut), « Monsieur Tout-le-Monde » (qui ne parvient à faire ce qu’il faut faire que sans s’en rendre compte, à condition d’oublier qu’il l’a voulu) et le « pensif velléitaire » (qui, en connaissance de cause, ne fait pas ce qu’il faut faire parce qu’il n’est pas sûr que c’est ce qu’il veut faire). Op. cit., pp. 35-36.

34  Cf. Pratiques sémiotiques, op. cit., p. 34.

Pour citer ce document haut de la page

«Trois pistes à explorer ?», Actes Sémiotiques [En ligne]. 2018, n° 121. Disponible sur : <http://epublications.unilim.fr/revues/as/5975> (consulté le 19/10/2018)